terça-feira, 12 de maio de 2015

DIVERTIMENTO

DIVERTIMEMTOS
).......ir ao cinema era habito comum, na população mais citadina de Tete. A cidade orgulhava-se das duas salas modernas, São Tiago e Estúdio 333, luminosas e de boa projecção cinematográfica . Olhando o rio,donde a brisa, o acariciava com a frescura natural, sempre desejada em terra quente, era um encanto único, um terceiro-- o Kudeca, cinema ao ar livre em lugar privilegiado . Para a população com"kobiri" completavam a vida do dia a dia. A "volta dos tristes", o convívio pela hora de fresco pela noite dentro, os alegres e divertidos bailes nos clubes sociais por qualquer pretexto, as quermesses, o futebol e o hóquei patins, eram os cinemas que reuniam mais assistência: só a visita anual da canhoneira, atracada ao cais muralha do século XVIII conseguia mais.
Varias sessões enchiam os fins de semana e feriados.Qualquer pessoa,fosse qual fosse a sua condição social, morasse onde morasse, poderia adquirir o ingresso.
As matinés preenchiam as tardes da juventude, em idade de pré ou namorico á vista. Era o escape da semana de aulas e desfrutarem da liberdade por umas horas. Pelo começo da noite a sessão adulta .Uns, velhos residentes, ocupavam o lugares avençados, outros faziam longa fila na bilheteira que esgotava, quando os actores eram estrelas famosas de Hollywood ... do romantismo francês ou "do top" universalmente conhecidos.
Quando, os lindos saris ,assentando perfeitamente em corpos esbeltos, desfilavam elegantemente na mesma direcção, pela manhã, era sessão indiana, as cores evidenciavam-se na sala, quebrando o tempo do drama, de longuíssima metragem.
Passagens de cenários atraentes, para qualquer cidadão de qualquer nacionalidade e traz muitas saudades, a quem os viveu, natural ou não, desse distinto lugar que repelia o visitante ao primeiro contacto e o afagava longamente nos posteriores, tornando-o amante-residente................
As três casas de espectáculos eram deficitárias.Não pela falta de frequência,mas, por um mau esquecimento. O esquecimento do povo. Do povo suburbano de baixo rendimento operário espontâneo de qualquer serviço. O verdadeiro povo alegre que corria ávido apanhando a "m'cham"(?), insectos alados, em volta da iluminação publica,que acorriam aos milhares ,em movimento rotativo num espectáculo único.Era ver quem apanhava mais......saciando o desejo gustativo.
Para esse povo, existira um clube o Centro Africano ,que nasceu tal como morreu, quase sem se dar por isso, reduzido que foi a uma equipa de futebol............
Tremendamente esquecido na área cultural ,não existia vontade, lugar nem horário para uma sessão popular, de baixo preço, que ele pudesse frequentar, desfrutar da alegria, conhecimento e poder da sétima arte............(Baú do Tempo)

sexta-feira, 25 de abril de 2014

MARCO DE UNIÃO

..era Fevereiro de 1972 a rapaziada do Hoquei Clube de Tete  foram-se mostrar a Moatize. O entusiasmo entre miudos dos dez aos treze era uma aventura , sairem de Tete-cidade mostrarem os seu dotes de patinadores e jogadores. A festa foi grande e assistência aplaudi-os, enchendo-os de orgulho e incentivando-os a prosseguir, que para alguns chegou á internacionalização. As horas passaram tão rápido, que o sol caiu e o batelão parou. Agora como é que vamos passar do Matundo para Tete? 
Aí deu-se a " Inauguração da Ponte"por todos a passar a pé , graças a autorização do Governador Rocha Simões, cujo filho tambem estava no grupo..... 

Vista do lado do Matundo


Vista do lado de Tete


“A construção da Ponte Marcelo Caetano (que depois da independência passou a designar-se Samora Machel) integrava-se no conjunto de trabalhos indispensáveis ao arranque da construção da Barragem de Cahora-Bassa. Inscrevia-se também no mais importante eixo rodoviário da África Oriental, que, partindo da Cidade do Cabo, na República da África do Sul, passa pela Rodésia (atual Zimbabwe), Moçambique (na província de Tete, entre o Zóbué e Changara), Malawi, Zâmbia e segue além do Quénia. Em Moçambique, servia ainda regiões com grandes potencialidades agro-pecuárias e mineiras e vinha permitir o escoamento rápido e económico das produções das terras riquíssimas a norte do Zambeze, como eraAngónia, Macanga, Marávia e Zumbo. A construção teve início em março de 1968, tendo a empreitada sido entregue à empresa Empreiteiros de Moçambique SARL (ERMOQUE), estando a fiscalização e controlo dos trabalhos a cargo da Junta Autónoma de Estradas de Moçambique. Uma descrição pormenorizada apre- senta esta estrutura, metálica e suspensa, de grande dimensão (com autoria do engenheiro Edgar Cardoso), do seguinte modo: “A ponte sobre o rio Zambeze, com 762,00 metros de comprimento total vence 5 vãos parciais (3 centrais com 180,00 metros cada e 2 extremos de 90,00 metros cada). Trata-se duma ponte suspensa pré-esforçada, com cabos funiculares, sem vigas de rigidez e com cabos pré-esforçados de rigidez formando triângulos com os cabos pendurais oblíquos, constituindo assim um conjunto perfeitamente estável. A faixa de rodagem é de 7,20 metros e dispõe de dois passeios de 2,00 metros cada, com a largura total de tabuleiro de 11,20 metros. A ponte é constituída por dois cabos funiculares que amarram aos encontros e passam pelos topos de quatro torres. São estes cabos que através dos pendurais oblíquos, ligados inferior e longitudinalmente a dois cabos de rigidez, sustentam o tabuleiro. Cada cabo funicular é constituído por sete cabos elementares de 140 fios de aço galvanizado de alta resistência; os cabos de rigidez são realizados, cada um por 146 fios de aço, semelhantes àqueles; e os pendurais oblíquos, que suportam os tramos apoiados do tabuleiro por intermédio de carlingas de betão armado pré-esforçado, constam de 60 fios do mesmo material. Todos estes fios de aço têm o diâmetro de 5 milímetros. O tabuleiro é formado longitudinalmente por tramos simplesmente apoiados, constituídos por nove longarinas de betão pré-esforçado, ligadas pela laje e por quatro travessas em betão armado. As quatro torres, em betão armado, são formadas por duas colunas, ligeiramente convergentes para o coroamento. As colunas são contraventadas e a ligação entre elas executada, ao nível dos aparelhos de passagem dos cabos funiculares, por uma viga, sendo todas estas peças em betão armado. Cada torre assenta numa sapata a qual por sua vez encabeça dois poços cilíndricos de betão armado com 6,00 metros de diâmetro, tendo atingido os poços mais profundos cerca de 22,00 metros. Os encontros são ocos, de betão armado, com duas peças pré‐esforçadas para amarração dos cabos, que funcionam como tirantes dessas amarrações. Assentam também em grandes sapatas, encastrando estas diretamente nos terrenos rochosos das margens”. (A Tribuna, Lourenço Marques, 29.09.1972, p. 4). Viria a ser inaugurada em 20 de julho de 1972, pondo fim à travessia de batelões entre a cidade de Tete e o Matundo, que remontava à década de 1920 ( from Antº Sopa)

domingo, 23 de março de 2014

SANTUÁRIO DE BOROMA






As missões  cristãs foram  por muitas dezenas de anos as únicas instituições de ensino  em Africa e particularmente  no seu interior. 
A poucos quilómetros  da vetusta cidade de Tete fica uma dessas missões. Talvez das mais  proeminentes  em acção numa zona rica de história, a Missão de Boroma , á data era assim definida:

"Esta missão, fundada lia poucos annos pelos padres jesuítas da Zambezia, está situada no prazo Boroma, na margem direita do Zambeze, e quatro horas a montante de Tete, na base da serra Nhacindi, c na margem esquerda do riacho I\Iutatazi. O logar é extremamente pittoresco, de alegre e formoso aspecto, assenta cm terrenos férteis, c junto a abundantes pedreiras de jaspe de que se faz óptima cal.
As casas de habitação, igreja, escolas, dormitórios, celleiros c outras officinas tinham, ainda em 18S8, um aspecto um tanto provisório, mas estavam n"um irreprehensivel estado de ordem e asseio. Todas as edificações estão encerradas em um vasto quadrilátero de tapume de paus, similhando os das aringas, mas mais fraco do que ellas, e só destinado a impedir a approximação das feras, e difficultar a dos ladrões.

Visitei a missão em 22 de novembro de 188S, e fiquei agradavelmente impressionado com o resultado admirável já tirado pelos beneméritos padres e seus auxiliares, a despeito das invejas e malquerenças com que os tcem por vezes perseguido alguns moradores do districto. Não posso deixar passar esta occasião sem mencionar aqui os nomes dos heróicos e desinteressadissimos obreiros da civilisação, que tão respeitosa e amavelmente me receberam na missão de S. José de
Boroma, e que tanto teem já trabalhado. Eil-os : Victor José Courtois, superior da missão da Zambezia superior.”sic”


Muitos homens  aqui aprenderam as primeiras letras, aqui se formaram  profissionalmente  em diversas áreas. O complexo da seculo XIX  foi construído por moçambicanos, orientação jesuíta , permanece ainda com a traça que lhe dá tanta beleza .Uma relíquia em solo do interior.

Versus.1965(ignotus)

Se um dia fores a Tete…
reza uma prece em Boroma.


Ao romper da madrugada
enquando o  rio é sudário,
de grossas aluviões
Sobe  p´la  ondulante  picada
Até Boroma santuário
local de muitas reflexões


No nicho, á sua entrada,
Um grosso cirio acende
que dure a tua estada
de te lembrar tanta gente
que gostaria de pisar
essa terra mui sagrada

Poe ramos de rubras flores
das acácias… floridas,
nos altares p´los teus amores,
Pelas horas ali vividas
P´ra que ninguem sinta o sabor
da hora da despedida


se um dia fores a Tete..
reza uma prece em Boroma
                                              (Sent. 1965)

sexta-feira, 21 de março de 2014

A MACHAMBA DO MUFA

....era no Mufa que se encontrava a machamba mais visitada da rapaziada residente em Tete.Não sei se teria sido um"prazo"com aringa não há sinais de tal.  O lugar nada tinha de diferente de qualquer machamba de aldeia típica. Palhotas e barracão de tábuas pouco aparelhadas com telhado de folhas de zinco, alpendres de caniço,  enriqueciam o recinto as árvores com boas sombras. Então o que é que havia de extraordinário na Machamba do Mufa ?
Proprietário, dado ao cultivo, ali passava maior parte do tempo, após horário laboral e invariavelmente todos os fins de semana. Fornecia alguns comércios locais de verduras frescas. Reunia um grupo de trabalhadores de maioria feminina . Cozinhava  á moda de rancho da tropa e por ali havia sempre a cerveja fresca .
Tudo isto convidada os celibatários, os "casadões desenfiados" e os solitários a passarem, diferentemente acompanhados num convívio, sem preconceitos de raça ou classe social.Por vezes só para adultos. As ocorrências ficavam hermeticamente fechadas no segredo dos frequentadores. O petisco não faltava e os mais habituais sempre levavam alguma coisa para ajudar. As cervejas faziam-lhe sempre companhia e as que sobrassem ficavam na geladeira a petróleo para o próximo encontro.Quem entrasse no recinto a primeira impressão era de marcha a trás e regressar de onde veio.  Por menor aspecto que um lugar comporte, quando há uma palavra amiga, num dialogo de entretenimento, o cenário tem outro encanto.Era diferente do ambiente do ar condicionado dos cafés ou da sombra mais quente das esplanadas ,que se tornavam socialmente  frias, porque não havia alguém com quem conversar. Nem todos tinham o "privilégio " de frequentar a Machamba do Mufa. Era quase como um clube onde , se é convidado ou  apadrinhado. Muita gente , pelos meados dos anos sessenta a setenta, por ali passou muitos bons momentos . por ali também ficaram sementes que gerarem  em "terrenos" não agricolas. Os tempos davam aso a acontecimentos que a história não vai contar em livros , ficam nas páginas da enciclopédia da memoria. Os nomes que as pessoas têm, impostos pelas mães, por aqueles lados são o"ADN" de parte da a sua origem. .....Ir á machamba do mufa era passar um dia fora da monotonia da cidade e fugir dos passeio dos tristes.....

sábado, 8 de março de 2014

DO DIA À DIA EM TETE (ANOS 60/70)




......era uma cidade pequena, espraiada, valia-lhe a população dos arredores não urbanizados.Os militares que chegavam tinha como prioridade fazer um reconhecimento  sempre pormenorizadamente eficaz. Os bares eram de certeza rubricados pelo sua presença. 
Um dos que na altura tinha popularidade  era o Bar Melo. A hora  indicada para o petisco era pela tardinha, quando o sol  matizava o céu com suas cores únicas  que se reflectiam no rio, soberbo,por ser vestido por aquela maravilhosa cachoeira de cores.

Os passarinhos, fornecidos pelo João "Coxo" do Matundo,eram o principal petisco, cozinhados , exalavam um aroma de bem  condimentados. Faziam crescer  água na boca , abafada com uma manica fresca de palmo e meio(basuka) que acompanhava a mastigação com estalido  num.. "está de gritos". 
Frequentado por uma marioria operária, conferia-lhe o estatuto  de  bar do povo. Neste ambiente  gourmet-populi  era corrente a aposta da rodada . O ou os vencidos em jogada de matraquilhos pagavam. As vazias manicas ou laurentinas iam ocupando o balcão para uma correcta contabilização de factura. 
Mas no meio, destes convívios alcoólicas e jogos, aparece sempre um espertinho. Num belo anoitecer quando as partes estavam quites e o gourmet mais apurado, eis que apareceu, militar mitimba , nato e criado na Ribeira do Porto. Matraquilheiro afamado no seu bairro trazia na goela a prosa gabarola de invencivel. A palavra ia-se confirmando, em duas jogadas limpas e com estilo.E ,empoleirado no seu degrau de vencedor, riu-se  quando viu surgir uma moça- menina, magrinha e alta apoiada pelos já bem rodados." Mitimba"  acabou o liquido que lhe escorria pela goela abaixo sem lhe custar uma quinhenta e lá vai emproado para uma partida que seria de brincadeira.
Os vencidos que continuavam inchando a mimba, começaram cercar a mesa e a incentiva-la . Se   a menina perder nós, pagamos a rodada. Filha do dono do bar, Rosa, alem de praticar tinha uma intuição nata para aquele jogo. Com humildade e habilidade, que lhe era notória, desembaraçou-se da primeira partida com três ou quatro de avanço. "Mitimba" não se deu por vencido e quer a desforra. A apoio aplaude e catrapuz, abada completa.... Rosa nem o deixou respirar..... e aconselhada afastou-se......fica para a proxima........ mas acho que não houve próxima...

terça-feira, 4 de março de 2014

PELO DESVIO DO MAZOI

....  viajar até à Beira ou Harare, tetense tinha que primeiro adquirir boa disposição e estar devidamente "programado" para enfrentar a trepidação  da estrada.Antes do asfalto, as pontes começaram a nascer no seu devido lugar e altura. Não houve nenhuma com nascimento prematuro. A que pareceu ter dois períodos de gravidez foi a do Rio Mazoi. Ao lado para que o turista tivesse mais consciência da real natureza, colocaram um desvio. Desvio histórico e cheio de peripécias que dariam  grande reportagem para jornalista criativo e apaixonante Toda a gente era obrigado a conhecer o ...desvio do mazoi.... nem o rio encontraria o  Zambeze se não levasse a mensagem cheia de vernáculos de  étimo;-  latino e  nhungwe.  Provocador, oferecia ao motorista mcurros de diversas alturas e em estilo de ondulação  marítima . Pela chuva, divertia-se á brava, com o patinar no matope sedoso que só pau do mato ajudava o fim do festival . Passado o percurso de recreio, o turista , tinha a sua passagem ao longo da estrada, as aldeias típicas em cenários maravilhosas de arborização ou de machambas  de sobrevivência.Não faltava o adeus shamwari do mwana risonho, alegre que empurrava o carrinho de arame, cópia meticulosa de carro que por ali passasse 







Chegados á Changara deitava-se a quinhenta ao ar, na escolha de itinerário para a capital do Zimbabwe (então Rhodesia). Via  Machipanda  ou via Nyamapanda . Se pela primeira admirava toda a maravilha do planalto do Chimoio e Serra de Vumba pela segunda encontrava uma vida mais selvagem em caminho  mais curto. 
A moeda  deu a  face da segunda. Nos quilometros entre Changara e Nyamapanda, cruzava-se com os TIR que iam a caminho do Malawi. carregados de mercadorias. Eram várias as companhias que faziam essa ligação Harare/Blantyre e vice versa. Havia sempre uma saudação deixavando-nos mais seguros em caso de avaria. 
Animais selvagens também era comum avistarem-se e vez houve que tivemos que abrandar e lentamente afastarmos-nos dum bando de macacos (cães) que pacificamente faziam uma "manifestação" no meio do caminho deste mini safari.
 Atravessada a fronteira tudo mudava. As estradas asfaltadas, as bermas bem assinaladas com o capim cortado, aqui e acolá, um espaço onde se poderia parar e cuidarmos das nossas necessidades.











O primeiro burgo a nos receber era o Mutoko.





Uma city bem arrumada, comercial e interessante.  Atestava-se o deposito,refrescava-se pois ainda faltavam uns bons kilometros para chegarmos ao Harare (ex-Salisbury). Até lá admiravamos as belas fazendas e as aldeias de casas que, já,caracterizavam a região. Hospedados na bela metrople capital da "suiça africana" esperava-nos uns dias de  civilização diferente............







quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

MÃO CHEIA DE MAPIRA





A cidade, cresceu, galgou o rio e foi para a outra banda saltou o vale de nhartanda e bateu no sopé da serra. Qual mão cheia de  mapira  espalhada do Chingodzi até á Caroeira.Casas pobres e ricas, cantos e recantos , travessas e becos ,ilhas, picadas formando ruas onde, em tempo de chuva,reina o divertido matope .


Tudo isto deve-se á procura de melhor vida e em qualquer lugar se constrói e  se acolhe  família.




As fotos e o  google dão-nos essa ideia, com
excepções,como os condomínios fechados ,
aqui e acolá , onde vivem profissionais de
empresas ali instaladas.



Empresas Geradora de  emprego e riqueza no país que se espreguiça, fugindo da letargia e cresce, organizado e pacifico
Espera-se um crescimento de 10% do PIB em 2015. 

Pelas imagens Tete faz. E o seu desenvolvimento em todas as areas é uma realidade.






 Tete , tem sido nas últimos anos, um chamariz de grande atracção, próspero,  dando muitas  oportunidades  de emprego e negócios. Esta onda  gigante, transversal de desenvolvimento, na província mais interior,  tem,organicamente, que deixar os seus frutos na área social rútila para as populações , actuais e futuras.

A Nova Ponte,simbolo de progresso, ligando a sul da cidade ,vai-lhe retirar o transito pesado,dár-lhe mais pulmões  saudaveis  irá naturalmente  acolher  população  nas mediações. Poderá ali nascer uma nova-Tete, urbanizada, moderna, airosa,  um reflexo integral do tempo que  atravessa.Virada ao rio, que nunca poderá desprezar, por toda a sua extensão em ambas as margens, há lugar para abrigos e clube sociais dos pescadores. Ancoradores de embarcações de recreio e turismo, uma fonte á espera do dia certo.


Esta “mão cheia de mapira” espalhada  será ignorada, é um marco histórico de bairro suburbano.  De liberdade assegurada.  Residência  do trabalhador indiferenciado, aquele que é procurado quando necessário , campo próspero de políticos, mas por vezes esquecido, em qualquer parte do mundo
Todos as grandes metrópoles devem,paginas de números cifrados e história qualificada a esse povo ,que é sempre o mais sacrificado na vida. Mas é dele que vem a alegria nos momentos festivos .Os tetenses são alegres e respeitadores. Cria a tradição,folclore,marca nacional,  o artesanato identificativo duma região, fonte de riqueza turistica. É ele o portador da bandeira pátria no coração.

sábado, 8 de fevereiro de 2014

O GRANDE MISSIONÁRIO pe.Luis Garcia Castro




Á porta da garagem Teixeira , que ficava na Av Eduardo Mondlane (antiga Av Gen,. Bettencourt ), uma motorizada, já velha e cansada a precisar de reparação. Apesar da sua velhice  corria picadas e  atalhos por esse mato fora. Aldeias típicas e naturais ou aldeamentos improvisados e obrigatórios. Os pneus só eram mudados quando a lona não suportava mais as picadas das pedras por onde rolavam. Mas o destino e a mensagem que levava era mais importante que todo o resto. O dono "abandonou-a" deixando recado que  "se ia abaixo e mesmo guiinhando* não se aguentava", voltaria pelo  fim da tarde. Aproveitou boleia e lá foi na sua missão de bem servir os outros. A garagem já não estranhava estes "abandonos" e o  Luis, Chefe de oficina, nem perguntava ao patrão se poderia arranjar, porque conhecia a resposta. Avançou e mais uma vez reparou-a com aquela disponibilidade de  fazer um bem, em prol da comunidade. A comunidade para onde ela iria no dia seguinte transportando o seu utilizador na divulgação  da fé e caridade ,  em tudo o que era lugar onde houvesse uma pessoa. Castro era o seu nome, padre o seu curso e missionário a sua plena vocação, fazendo dela o seu quotidiano.

Quem não o conhecia, em terras de tetenses ? E quem não tem histórias para contar desse homem, que soube , exemplarmente, cumprir a sua missão? Fosse qual fosse a sua raça, etnia ou credo?






A sua grande esperança era a reconstrução de Moçambique e em Dezembro de 1975 proferiu esta frase

"Temos muito que trabalhar e ajudar a levantar este pais que tanto custou independizalo.Estou muito feliz e faltando muitas mãos"(sic- from IEME-Hotzi.com

Faleceu em cenário de guerra em 6 deAgosto de 1976.  Os seus restos mortais ficaram  onde exerceu o seu ministério no cemitério de Tete.
Um mês antes do trágico falecimento a caminho da Beira, na ponte do Pungwe escreveu a sua mãe:


Querida mamã:

Recebi a tua carta que escreviste a primeiros de Julho. Vejo que as minhas cartas chegam muito atrasadas. Mas chegan. Já estava ansioso por receber a tua.  A tua carta é toda optimismo e me dás todas as bênções havidas e por haver. Obrigado. Es uma mãe muito gira e valente que eu tenho visto. Ninguém te ganha em generosidade e por isso o Senhor te da sempre um cento por um. Bendito sejá Deus mil vezes. Assim sejá.

Mamã: sou simplesmente feliz com todo isto e me encontro como peixe no rio. Sigo com muitas ganas de ser padre e sigo sem ter tempo para casar-me. Só peço a Deus um sobrinho que se chame Luis Garcia, que ainda não há. Olha que pouco ambicioso som para as coisas do mundo!


Espero que no céu falemos a vontade porque, como vês, neste mundo vivemos com pressas e não há tempo para as nossas coisas. Deixa. Da bem mais felicidade dar que receber. Porque quem da, da e recebe alegria. E, que mais queremos mamã?, essa é a vida. O egoísmo é a morte, é dizer, o pecado. Por aí não nos vão colher. Quando morrermos diremos: MISSÃO CUMPRIDA. Que é o que tu fizeste? Pois, nada especial. Alegrar todo o que eu puder aos demais, dando guloseimas para o corpo e para a alma. Passou a vida assim correndo...Passa. Deus dirá. Assim Seja.
Que  mágoa que não tenhas ainda setenta anos! Vir-te-ás comigo. Ai, as minhas velhotas se te vier! Morrer-te-ás de gosto. Podes vir apenas uma temporada. Por que não? Saca passaporte. E regressamos juntos. Um bilhete de ida e volta por quarenta e cinco dias e pronto. Em quinze horas apresentamo-nos em Moçambique. Animo! Vai aforrando. Isso não vai ser problema. Venderemos maçãs carameladas na porta do metro. Não te faltaria nada. Temos médicos e enfermeiras -monjas-. E comidinhas apropriadas. °Já, já...! Ta bom. Ao serio. Não é nada impossível, Ai, que surpresa era!

És tremenda. A tua carta tranquilizou-me muito. És a mulher forte da Bíblia. Já não estou coxo, já não tenho parasitas e já não tenho nada nas mãos nem nas plantas dos pés. Milagre. Obrigado com Deus. E  peso 75 quilos. Estou giro e elegante. Saudações a todos
 e abraços. Quero-te. LUIS.

Fonte http://padrecastro.hostzi.com/cartasport.htm

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

O SIMPLES...COMPLICOU-SE




Quando se gosta e se vive intensamente o quotidiano onde se reside, torna-se um habitante tão natural como o que lá nasceu. Foi numa manhã de domingo dia em que habitualmente tomava café com um pastel de nata na Pastelaria Caravela. 

Por lá encontrava , quase residentes,  o Afonso bom conversador, sabia ouvir e o Santos Martins mais para falar . O Afonso estava com a ideia de começarmos a relatar os jogos de futebol, ideia que não se chegou a concretizar por vários motivos,  principalmente por falta de apoios. O Santos Martins, jornalista dedicado, também  nunca alinhou nessa ideia. Virava-se mais para os relatos do que se  passava na politica ou no cenário de guerra.Era presidente do Sporting local e aventou em realizar-se um sarau de poesia. Caiu bem. Agradava-me a ideia como me agradou a dos relatos  . Contudo o sarau seria mais facil de realizar-se porque não faltaria artistas voluntários a querem participar e porque não, um bom principio para outros eventos similares.Havia de traçar um programa e cenário envolvente.Enquanto uns declamavam poemas de poetas mais conhecidos outros letras de canções que contivessem alguma poesia. Isto seria o básico. Até aqui tudo acordado. O busílis residia no envolvente. Da minha parte seria folclore local. Dois tambores rurais três dançarinas rigorosamente vestidas com capolanas coloridas. O som seria tão baixo quanto audível que acompanharia, em fundo, a récita.Estes figurantes participativos, poderiam convidar familiares e até alguns amigos. Não soou bem esta sugestão ao jornalista.  Numa tarde escaldante de quinta feira, normalíssima em Tete, um telefonema a dar-me a noticia , que o sarau tinha que ser no sábado próximo. Suspirei..... qual rajada de vento arrasadora. Não dava tempo a por em aberto sobre um palco um pouco de cultura popular. Mais furiosa a minha atitude se manifestou, porque já tinha proposto um evento semelhante a ser exibido no São Tiago e foi "rejeitada", nunca houve uma resposta de dia e hora.Do outro lado do telefone ouve-se -"sendo assim  vamos os dois porque não precisamos de ensaios e alternaremos". Engoli em seco, mas palavra é palavra. Nesse sabado compreendi a razão urgente . Os convidados eram patentes do exército, vexas civis e "madames" todas acaloradas com vestidos bem leves e coloridos. Não havia espaço para mais ninguem embora a sala estivesse a três quartos.Não faltaram aplausos e findos, retirei-me acompanhado por a velho amigo Sr.Cunha ( do Christos),  deixando na conversa quem se encontrava no lugar certo..... 

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Á BEIRA RIO


……tenho visto várias fotografias do edifício dos correios. Umas todo pintado de vermelho outras como esta. Era um edicio mais ultil que bonito . A quem o vê deixa  um sentimento  percorrer-lhe a memória e recordar  momentos de vida. De cartas que recebeu do amor distante ou do desgosto, com lágrima interior, de nunca mais receber.Como não havia carteiros,  tinha-se que ter uma caixa postal. Dando tempo á distribuição, após a chegada do avião , apinhava-se gente de chave na mão á espera de espaço para abrir a caixa. Acto comum,uns entravam e saiam sem cumprimentar fosse quem fosse. Os mais conversadores rodeavam em convivo , quase vicio,  atrapalhando os mais apressados. O trocar  de acontecimentos “milandescos”em hora de trabalho. Demorar mais havia a eterna desculpa do atraso ou  lenta distribuição.  O meu itinerário era sempre o mesmo. Era me o mais divertido  estivesse a chover ou sol de torrar. Da avenida central, virava á Pendray eSousa, passava o Clube de Baixo(Sporting) em direcção ao rio.O rio que me fascinava pela sua grandeza, pelos barcos de passageiros com  katundus e de lindas capulanas, pelo batelão possante que transportava toneladas  vencendo a forte corrente.  Virava á esquerda via a encarcerada, solitária e sacrificada gazela, cruzava o jardim da alfandega , mãe de agua e kuima. Pelo jardim por vezes lá se viam namoricos, sentados no muro ou no canto onde estava a registo ,dos anos, de maior enchente do rio. Bonito de ver  são momentos do tempo que não regressam e  têm um sabor único.
Batia o rio forte e ruidoso. Parei para ver como redemoinhava no angulo do  paredão do jardim. Nyakoko que por ali passasse teria dificuldades em vencer  aquele turbilhão. Como chovia  estava só nem mesmo os empregados da alfandega e guarda fiscal se viam. Visto e revisto segui o meu  destino. A surpresa por vezes aparecia e nos ajustava a uma realidade que a cidade ocultava. Carro parado encostado á mãe de agua, como que escondido. Alguma coisa se passou. Será que a corrente entupiu a captação? Espreitei. Não, não era de gente de desentupir canos nem tecnicos avaliadores de qualquer ocorrência. Um casal, não acasalado, conversava com algum carinho, talvez suprindo carências ou agendando local mais apropriado.

A minha boca fechou-se  e no meu olhar apenas ficou a fotografia irrevelável . Assumi a pose dos três macaquinhos á sombra de imbondeiro .Confirmavam que me viram os seus olhos , ao cruzarmo-nos  em qualquer ponto da cidade ,denunciavam  comprometimento. 

Não era estanho na cidade essas poses. Umas mais  expostas outras mais recatadas. Em qualquer sociedade isto acontece e porque não em Tete? No interior do sertão africano….carente de acontecimentos extras....

 A prova real surgiu com a vinda de diferenciadas que frequentavam a Taberna do Cigano, o Maxime e outros bares. Foi uma época de oportunidades em todas as áreas comerciais e urbanas e em todos os sentidos sociais. Affaires  codificados  sem calhamaço de registo.Migrantes que chegavam sem carta de chamada ou certidão de registo criminal. A cidade acolhei-as. Encontrando cada uma o  seu lugar ou ocupando o lugar de  outra……

sábado, 18 de janeiro de 2014

A BANCA ANOS 60/70

Mal cheirou á construção da barragem de Cahora Bassa, os donos das instituições bancárias,  grandes gorilas do dinheiro começaram a bater calcanhar . 
Não foi preciso atravessar o rio de batelão muitas vezes, porque a ponte ainda só estava no papel, para se instalarem em Tete.
Até aos últimos anos da década de 60, o BNU era rei e senhor, apenas os correios  lhe faziam algumas cocegas com a“ caderneta” de poupança. 
Ficou lá sozinho na zona norte .Zona mais antiga da cidade que era o eixo sul/norte entre os dois fortes –São Tiago e D.Luiz
Toda a banca privada , assentou praça  mais a centro. Na rua que ligava a circunvalação ao rio. Então chamada de Antonio Eanes(nova Julius Nierere) ou na proximidade  .


Descendo a rua,  o primeiro a aparecer  era o Standard Totta. Uma agencia pequena , simpática, com algumas excepções. No rés do chão era o atendimento geral e na sobreloja a gerência.
Três ou quatro épocas de chuva chegaram para dar lugar á pastelaria Caravela, famosa pelos pasteis de nata .Escolheu  o cruzamento ,  onde a casa do juiz, cocoana no lugar, viu nascer a Univendas e toda a urbanização vizinha. 

Na esquina oposta conservador  Pinto e Sotto Mayor, agarrado a velha tradição de banco metropolitano, nunca acrescentou ao seu símbolo a palavra Moçambique.

Passado esse  cruzamento  nevrálgico, do lado direito, colado á Sotete, muito arrumadinho ficava o Montepio de Moçambique Era o mais mitimba. A sua área de negócio apelaria a que tivesse vindo mais cedo, ainda chegou a tempo de fazer moça no mercado da concorrência.

Um pouco mais e  Hotel Zambeze  lugar de reunião dos boca negras, “dos” rubrica milandos, que quando não tinham nada para dizer inventavam. O diário falado era ali publicado.


No res do chão  do hotel o filho fugitivo dos correios-- o Instituto de Crédito de Moçambique, hospedou-se, deixou de fazer cócegas ao BNU porque os outros já o arranhavam

o

Do lado direito , na avenida principal,   entre o bomba da Zambézia e o Megaza ,abriu porta o BCCI. Comecei por descer a rua para guardar este para último. 


Se entre todos os empregados bancários havia muita gente simpática, este reuniu a simpatia num grupo.

Já não conseguirei mencionar todas as pessoas , bancários em Tete no meu tempo, mas ainda há muitos que aparecem aos convívios e nas redes sociais da internet.

Insatisfeito com o lugar, velho e solitário, o BNU largou as sapatilhas esfoladas enfiou um ténis de marca  e procurou a companhias dos outros. Como estatal e emissor, não teve falta de “cobir” , construiu  casa própria apalaçada,  mesmo no cruzamento, ocupou área e em torre para que pudesse vigiar os outros.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014





  Dá gosto ver estas fotografias.
  Um dos recantos  mais  identificativos da cidade.  Quem chegasse á outra margem, Matundo, na era do batelão, era a torre da igreja  que sobressaía altiva,senhora do lugar,  depois o casario ao longo  do  rio protegido pela serra . 
  Aqui neste domínio,  ocupando um quarteirão, funcionou por décadas o único colégio/liceu. Foi tendo continuidade(certamente desde 1624  **) até tornar-se polo da Universidade Católica de Moçambique. 
  A história que contem mereceu ter esse destino . Continuar a contribuir para o enriquecimento cultural dos jovens , dando-lhes outras perspetivas futuras. Sempre a juventude tetense necessitou de mais instituições  de ensino , secundárias, profissionais e superiores. 
  Felizmente , vontades diferentes, abriram-se nesse sentido.Bom para  os estudantes que não necessitam de abandonar a sua terra . 
  Uma formatura vocacional ,numa província rica e em crescimento , é um bem para eles ,para a região e para o país.  
  Apraz-me registar esta reabilitação, mantendo a traça urbana e o bom destino que lhe deram.

**A fundação de Tete data de princípios do Século XVI (1531). 
Em 1563 já havia na povoação uma igreja, doada aos missionários que daí irra­diavam pelo sertão, e, em 1624, um colé­gio , chamado do Espírito Santo(www.net)



segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

PRAÇA 25 DE OUTUBRO (Antigo Jardim da Alfandega)

- O   sossego, o chilrear dos pássaros coloridos migrantes e os
segredos do rio batendo na muralha, residem em saudade.O Jar-
dim dos meus encantos não resistiu ás ideias dos novos tempos .
Enriqueceu-se em esplanadas  e encontrou-se com o divertimento
 do povo.Nada mais certo que dar um bom destino a tudo aquilo de que gostamos.  A favor do bem estar,do prazer alegre da convivência ritmada sem duvida, uma alternativa feliz.
                                                    

 A saudade residente ainda tem lugar apesar do rio se afastar, sem pedir licença ás horas de contemplação em toda a sua plenitude.  Ergueu um campo entre a muralha e o seu rico leito e  corre veloz,arrogante,despretensioso Já não afaga o  porto e a muralha centenária.Nem lhe bate quando raivoso em tempo de chuva.  Já não carrega os segredos de secretos encontros,na rampa em descida ,  dos ardentes ou furtivos beijos .Outros encontros se encontram.
E o Jardim continua a ser o livro de páginas invisiveis onde tudo o que  ali se passa fica escrito.
                                                                                           

                                                                            .

Esse pedaço de rio, que se renova, deixou de rubricar milandos  e de abençoar pertinho os enlaces duradouros.  Mas tudo vai mudando e um dia poderá acontecer em que volte a bater o ritmo na muralha, alegrando mais esse pequeno, mas importante recanto da vetusta cidade. (fotos0                                                                                       

domingo, 15 de dezembro de 2013

O SANTIAGO MORREU

LUGARES DE ESTÓRIAS POR CONTAR

Minguem tem dúvidas que a caixinha mágica  da tv, revolucionou o mundo. Tete não fugiu dessa revolução . Criou os meios e difundiu-os  por todo o pais . Modernizou e as famílias começaram a dispor , dentro de casa, da “caixinha” que os informa dos acontecimentos mundiais e os diverte em programas de  entretenimento  e filmes que outrora viam nos três locais que serviam a cidade.Se o mais moderno já desapareceu ,dando lugar a um hotel, se o anterior se mantém para outros fins, suspira-se….. e lamenta-se. Mas o primeiro esse padrão de cultura duma época , inegável,  gera uma pena  que vai ficar escrita na história tetense. O velho S.Tiago  está irreconhecivel. Deixou de ser a sala que a cidade precisa.  Sentava.se quem comprasse o bilhete, fosse qual fosse a raça ou credo, divertindo-se numa animada cowboyada americana, num musical de boa disposição italiano , numa paixão francesa ardente de amor  ou num longo drama amor indiano. Não faltava assistência e até se lutava para se adquirir bilhete quando o titulo do filme vinha com rotulo de bom. Fervilhava nos fins de semana , com três sessões. Manhã , indiano, por  serem muitos longos .Tarde as matinés , maiores de 6 anos, encontros e desencontros de namoricos.Noite , indiferenciados, para  a família e outros. O teatro que por ali se fez  bem podia ter continuidade e assim a  chamar juventude a esse tipo de cultura.

Toda  sua história vai desaparecer e um dia certamente , um edifício o irá substituir com outro tipo de actividade.Definitivamente o  Cinema S.Tiago morreu.




ONDE AS PEDRAS CHORAM........


O tempo não perdoa quem  nada faça por aquilo que foi estimado.A velha escadaria a desfazer-se, era imponente e dava um ar apalaçado ao edifício. Em cada degrau se poderá  escrever um verso , de muitos e longos poemas de amores. Degraus que foram bancos de carinhos irreverentes no despertar da adolescência .Encontros amorosos de primeiros beijos.

Uma perola colonial, onde um restaurante /bar funcionava , os Carlettis,  era um ponto de encontro de gente de bom gosto . Restaurante de paladar greco-moçambicano , apelativo aos festejos de aniversário ou um jantar com a exigência de um acontecimento mais querido. No piso de cima funcionava o notário , em tete-no-meu-tempo, era o Dr. Tramela Conde. Pessoa afável e de cumprimento fácil e popular. Não impunha mas dialogava para, nos casos mais difíceis, se encontrar a melhor solução . Coadjuvava-o o Mario Batalha, desportista  e bastante social. Os escritórios do Senhor Chaby e Campeão  dava um estatuto mais complementar ao edifício. Na base o comercio do senhor Casimiro Martins  acrescentava o movimento que se sentia em toda a periferia do edifio.

Emblemático constitui sem a menor duvida  uma  peça histórica , merece que lhe atribuam  mais atenção. É pena que tudo  o  que  viveu  se  esvazie  nas pedras que desmoronam. Que os segredinhos lembrados fiquem subterrados. Que os tetenses deixem, de viver os momentos passados nesse lugar que foi coração da cidade. Ainda há muitos residentes, pais ou avós,que recordam ,com certeza, os momentos de então, que por ali viveram. A sua reabilitação seria uma gratidão a quem ainda sente ,nostálgico, tempos  que o tempo levou. Um museu, uma casa da cultura, uma escola…enfim aquilo que na verdade merecer.

Tete, das cidades mais vetustas de Moçambique  requer  mais atenção na conservação de edifícios que a identificam  este é sem dúvida um deles

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

PASSEIO Á CHUVA



Passeio á chuva

..umas nuvens escuras vindas do lado do Zobué sobrevoavam Moatize, chuva que parecia ser passageira, seria de aproveitar. Saí com destino ao rio para apreciar o que dava um prazer incontrolável o encontro das pingas de descarga grossa com a turbulência do rio . Esperei ,esperei e começou-me a cansar a demora. Encostei e o Dominó foi a minha paragem de espera .O café de muitas recordações. A afabilidade dos empregados á simpatia do Torrão conservavam naquele pequeno espaço um clima de bem estar. Ali se cruzava muita gente e se combinavam encontros de negócios ou de namoricos. O cinema dava-lhe mais vida pelas horas do filme e ao domingo era de facto o dia maior do Dominó. Lugar de ver sair ou entrar saboreando um fresco mazagran ou um wisky saloio onde o ginger-ale mandava na percentagem. Não era difícil não encontrar alguém , mesmo que manhã fosse de sábado quente . Lá estávamos três e palavra puxa palavra em diferentes opiniões. O Santos Martins era mais ortodoxo e puxava a conversa para os feitos bélicos , bem lá no interior ou no norte, que desconhecíamos. Exaltava-se com frequência .No momento bem mais que o habitual porque se sentou na mesa o Magalhães, que sempre ,discordava com a sua ortodoxia. Magalhães , um relações publicas nato, estava prestes a deixar Tete , porque a firma onde era gerente o chamou para a Beira, refutava serenamente num português bem mais vernáculo o que o desarmava com facilidade. Nesta de estar sentado com vontade de se levantar, venceu a vontade e o jornalista saiu, apenas com um gesto para a mesa dos senhores Chaby e Garção ,sem qualquer saudação como se fosse á procura da chuva que eu esperava….
Por fim lá veio ela bem forte e saí , arranquei até junto ao jardim da alfandega(lugar de muitas recordações), onde uma gazela refém e solitária sofria todas as inclemências do tempo. Por lá ficou o Magalhães e o Torrão em cavaqueira. A chuva era de facto forte e o Zambeze já ia farto, mais farto ficou. Engrossando o caudal com a rapidez da chuva ,depressa se espraiou pelas margens. Enquanto bateu forte no carro deixei-me estar.... e mal começou a abrandar foi ver se deu para fazer poça …lá para o Nhartanda. Ali quando poça ficasse, passados poucos dias, nasciam lindos nenúfares duma beleza ímpar.Lugar natural de tais nascimentos mas que nunca fora aproveitado para que o bouquet continuasse sempre vivo.

Defeitos dos muitos com que a cidade convivia.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

sábado, 10 de novembro de 2012

ARVORES DE FOLHA CADUCA

Gosto das arvores de folha caduca
Que se vestem de rubro, amarelo ou castanho,
quando o outono chega,
Que as deixam cair a cobrir o chão…
.. ovais, estreitas, curtas ou compridas,
outras , as do meu gosto, em coração
Formando  manto  natural,
matiz que verde já fora,
Que purificaram o ar que respiramos
Que deram flores e frutos
Com que nos alimentamos

Gosto das arvores de folham caduca,
…sinónimos de mudança..
Dando-nos calendário de estação
Porque perderam ,
mas fortes se recompõem,
Brotando toda a sua força
Numa  exuberância  de verde,
novo nascimento
em produção de  vida.
orgulhosas das suas novas folhas
resplandecem em florescência
..em quadro multicolor…
e frutos que nos oferecem
com seus sabores….

Gosto das arvores de folha caduca…

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

GRITO DOLOROSO

Hoje
Mina alma pariu,
um grito silencioso
Numa angustia de revolta.
A revolta de não ter o poder:
De julgar, de impor e acabar.
De julgar esses irresponsáveis
Que dissiparam o povo,
culpados de gestão danosa…
De impor a reposição
do tesouro roubado ,
De acabar com a pobreza,
o desemprego,
a mendicidade exposta… e escondida….
Duma população sofrida..

Na rua principal da cidade
Ajoelhada no chão que todos pisam
Estendia a mão á caridade,
Era uma mãe portuguesa
Séria e amada
Apelando por pena
Para matar a fome,
a jovens e idosos,
á família desempregada.

Enquanto assim…, a minha alma
Vai parir gritos dolorosos !!

domingo, 4 de novembro de 2012

TETE -MENINA VAIDOSA

Só gostava de ti
quem contigo vivia,
eras quente, seca,
infante;
mas tinhas um abraço
aconchegante,
num beijo fresco
de agua corrente,
quem te visitava, 
ficava,
esquecia a poeira
o calor ofegante
vi-te crescer, airosa
e quando começaste
a ter cada vez mais
roupa vaidosa
tive que te deixar
olhei para trás a lacrimejar

mas nunca mais te esqueci

in  chaoluso.blogsopt.com