quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

MÃO CHEIA DE MAPIRA





A cidade, cresceu, galgou o rio e foi para a outra banda saltou o vale de nhartanda e bateu no sopé da serra. Qual mão cheia de  mapira  espalhada do Chingodzi até á Caroeira.Casas pobres e ricas, cantos e recantos , travessas e becos ,ilhas, picadas formando ruas onde, em tempo de chuva,reina o divertido matope .


Tudo isto deve-se á procura de melhor vida e em qualquer lugar se constrói e  se acolhe  família.




As fotos e o  google dão-nos essa ideia, com
excepções,como os condomínios fechados ,
aqui e acolá , onde vivem profissionais de
empresas ali instaladas.



Empresas Geradora de  emprego e riqueza no país que se espreguiça, fugindo da letargia e cresce, organizado e pacifico
Espera-se um crescimento de 10% do PIB em 2015. 

Pelas imagens Tete faz. E o seu desenvolvimento em todas as areas é uma realidade.






 Tete , tem sido nas últimos anos, um chamariz de grande atracção, próspero,  dando muitas  oportunidades  de emprego e negócios. Esta onda  gigante, transversal de desenvolvimento, na província mais interior,  tem,organicamente, que deixar os seus frutos na área social rútila para as populações , actuais e futuras.

A Nova Ponte,simbolo de progresso, ligando a sul da cidade ,vai-lhe retirar o transito pesado,dár-lhe mais pulmões  saudaveis  irá naturalmente  acolher  população  nas mediações. Poderá ali nascer uma nova-Tete, urbanizada, moderna, airosa,  um reflexo integral do tempo que  atravessa.Virada ao rio, que nunca poderá desprezar, por toda a sua extensão em ambas as margens, há lugar para abrigos e clube sociais dos pescadores. Ancoradores de embarcações de recreio e turismo, uma fonte á espera do dia certo.


Esta “mão cheia de mapira” espalhada  será ignorada, é um marco histórico de bairro suburbano.  De liberdade assegurada.  Residência  do trabalhador indiferenciado, aquele que é procurado quando necessário , campo próspero de políticos, mas por vezes esquecido, em qualquer parte do mundo
Todos as grandes metrópoles devem,paginas de números cifrados e história qualificada a esse povo ,que é sempre o mais sacrificado na vida. Mas é dele que vem a alegria nos momentos festivos .Os tetenses são alegres e respeitadores. Cria a tradição,folclore,marca nacional,  o artesanato identificativo duma região, fonte de riqueza turistica. É ele o portador da bandeira pátria no coração.

sábado, 8 de fevereiro de 2014

O GRANDE MISSIONÁRIO pe.Luis Garcia Castro




Á porta da garagem Teixeira , que ficava na Av Eduardo Mondlane (antiga Av Gen,. Bettencourt ), uma motorizada, já velha e cansada a precisar de reparação. Apesar da sua velhice  corria picadas e  atalhos por esse mato fora. Aldeias típicas e naturais ou aldeamentos improvisados e obrigatórios. Os pneus só eram mudados quando a lona não suportava mais as picadas das pedras por onde rolavam. Mas o destino e a mensagem que levava era mais importante que todo o resto. O dono "abandonou-a" deixando recado que  "se ia abaixo e mesmo guiinhando* não se aguentava", voltaria pelo  fim da tarde. Aproveitou boleia e lá foi na sua missão de bem servir os outros. A garagem já não estranhava estes "abandonos" e o  Luis, Chefe de oficina, nem perguntava ao patrão se poderia arranjar, porque conhecia a resposta. Avançou e mais uma vez reparou-a com aquela disponibilidade de  fazer um bem, em prol da comunidade. A comunidade para onde ela iria no dia seguinte transportando o seu utilizador na divulgação  da fé e caridade ,  em tudo o que era lugar onde houvesse uma pessoa. Castro era o seu nome, padre o seu curso e missionário a sua plena vocação, fazendo dela o seu quotidiano.

Quem não o conhecia, em terras de tetenses ? E quem não tem histórias para contar desse homem, que soube , exemplarmente, cumprir a sua missão? Fosse qual fosse a sua raça, etnia ou credo?






A sua grande esperança era a reconstrução de Moçambique e em Dezembro de 1975 proferiu esta frase

"Temos muito que trabalhar e ajudar a levantar este pais que tanto custou independizalo.Estou muito feliz e faltando muitas mãos"(sic- from IEME-Hotzi.com

Faleceu em cenário de guerra em 6 deAgosto de 1976.  Os seus restos mortais ficaram  onde exerceu o seu ministério no cemitério de Tete.
Um mês antes do trágico falecimento a caminho da Beira, na ponte do Pungwe escreveu a sua mãe:


Querida mamã:

Recebi a tua carta que escreviste a primeiros de Julho. Vejo que as minhas cartas chegam muito atrasadas. Mas chegan. Já estava ansioso por receber a tua.  A tua carta é toda optimismo e me dás todas as bênções havidas e por haver. Obrigado. Es uma mãe muito gira e valente que eu tenho visto. Ninguém te ganha em generosidade e por isso o Senhor te da sempre um cento por um. Bendito sejá Deus mil vezes. Assim sejá.

Mamã: sou simplesmente feliz com todo isto e me encontro como peixe no rio. Sigo com muitas ganas de ser padre e sigo sem ter tempo para casar-me. Só peço a Deus um sobrinho que se chame Luis Garcia, que ainda não há. Olha que pouco ambicioso som para as coisas do mundo!


Espero que no céu falemos a vontade porque, como vês, neste mundo vivemos com pressas e não há tempo para as nossas coisas. Deixa. Da bem mais felicidade dar que receber. Porque quem da, da e recebe alegria. E, que mais queremos mamã?, essa é a vida. O egoísmo é a morte, é dizer, o pecado. Por aí não nos vão colher. Quando morrermos diremos: MISSÃO CUMPRIDA. Que é o que tu fizeste? Pois, nada especial. Alegrar todo o que eu puder aos demais, dando guloseimas para o corpo e para a alma. Passou a vida assim correndo...Passa. Deus dirá. Assim Seja.
Que  mágoa que não tenhas ainda setenta anos! Vir-te-ás comigo. Ai, as minhas velhotas se te vier! Morrer-te-ás de gosto. Podes vir apenas uma temporada. Por que não? Saca passaporte. E regressamos juntos. Um bilhete de ida e volta por quarenta e cinco dias e pronto. Em quinze horas apresentamo-nos em Moçambique. Animo! Vai aforrando. Isso não vai ser problema. Venderemos maçãs carameladas na porta do metro. Não te faltaria nada. Temos médicos e enfermeiras -monjas-. E comidinhas apropriadas. °Já, já...! Ta bom. Ao serio. Não é nada impossível, Ai, que surpresa era!

És tremenda. A tua carta tranquilizou-me muito. És a mulher forte da Bíblia. Já não estou coxo, já não tenho parasitas e já não tenho nada nas mãos nem nas plantas dos pés. Milagre. Obrigado com Deus. E  peso 75 quilos. Estou giro e elegante. Saudações a todos
 e abraços. Quero-te. LUIS.

Fonte http://padrecastro.hostzi.com/cartasport.htm

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

O SIMPLES...COMPLICOU-SE




Quando se gosta e se vive intensamente o quotidiano onde se reside, torna-se um habitante tão natural como o que lá nasceu. Foi numa manhã de domingo dia em que habitualmente tomava café com um pastel de nata na Pastelaria Caravela. 

Por lá encontrava , quase residentes,  o Afonso bom conversador, sabia ouvir e o Santos Martins mais para falar . O Afonso estava com a ideia de começarmos a relatar os jogos de futebol, ideia que não se chegou a concretizar por vários motivos,  principalmente por falta de apoios. O Santos Martins, jornalista dedicado, também  nunca alinhou nessa ideia. Virava-se mais para os relatos do que se  passava na politica ou no cenário de guerra.Era presidente do Sporting local e aventou em realizar-se um sarau de poesia. Caiu bem. Agradava-me a ideia como me agradou a dos relatos  . Contudo o sarau seria mais facil de realizar-se porque não faltaria artistas voluntários a querem participar e porque não, um bom principio para outros eventos similares.Havia de traçar um programa e cenário envolvente.Enquanto uns declamavam poemas de poetas mais conhecidos outros letras de canções que contivessem alguma poesia. Isto seria o básico. Até aqui tudo acordado. O busílis residia no envolvente. Da minha parte seria folclore local. Dois tambores rurais três dançarinas rigorosamente vestidas com capolanas coloridas. O som seria tão baixo quanto audível que acompanharia, em fundo, a récita.Estes figurantes participativos, poderiam convidar familiares e até alguns amigos. Não soou bem esta sugestão ao jornalista.  Numa tarde escaldante de quinta feira, normalíssima em Tete, um telefonema a dar-me a noticia , que o sarau tinha que ser no sábado próximo. Suspirei..... qual rajada de vento arrasadora. Não dava tempo a por em aberto sobre um palco um pouco de cultura popular. Mais furiosa a minha atitude se manifestou, porque já tinha proposto um evento semelhante a ser exibido no São Tiago e foi "rejeitada", nunca houve uma resposta de dia e hora.Do outro lado do telefone ouve-se -"sendo assim  vamos os dois porque não precisamos de ensaios e alternaremos". Engoli em seco, mas palavra é palavra. Nesse sabado compreendi a razão urgente . Os convidados eram patentes do exército, vexas civis e "madames" todas acaloradas com vestidos bem leves e coloridos. Não havia espaço para mais ninguem embora a sala estivesse a três quartos.Não faltaram aplausos e findos, retirei-me acompanhado por a velho amigo Sr.Cunha ( do Christos),  deixando na conversa quem se encontrava no lugar certo..... 

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Á BEIRA RIO


……tenho visto várias fotografias do edifício dos correios. Umas todo pintado de vermelho outras como esta. Era um edicio mais ultil que bonito . A quem o vê deixa  um sentimento  percorrer-lhe a memória e recordar  momentos de vida. De cartas que recebeu do amor distante ou do desgosto, com lágrima interior, de nunca mais receber.Como não havia carteiros,  tinha-se que ter uma caixa postal. Dando tempo á distribuição, após a chegada do avião , apinhava-se gente de chave na mão á espera de espaço para abrir a caixa. Acto comum,uns entravam e saiam sem cumprimentar fosse quem fosse. Os mais conversadores rodeavam em convivo , quase vicio,  atrapalhando os mais apressados. O trocar  de acontecimentos “milandescos”em hora de trabalho. Demorar mais havia a eterna desculpa do atraso ou  lenta distribuição.  O meu itinerário era sempre o mesmo. Era me o mais divertido  estivesse a chover ou sol de torrar. Da avenida central, virava á Pendray eSousa, passava o Clube de Baixo(Sporting) em direcção ao rio.O rio que me fascinava pela sua grandeza, pelos barcos de passageiros com  katundus e de lindas capulanas, pelo batelão possante que transportava toneladas  vencendo a forte corrente.  Virava á esquerda via a encarcerada, solitária e sacrificada gazela, cruzava o jardim da alfandega , mãe de agua e kuima. Pelo jardim por vezes lá se viam namoricos, sentados no muro ou no canto onde estava a registo ,dos anos, de maior enchente do rio. Bonito de ver  são momentos do tempo que não regressam e  têm um sabor único.
Batia o rio forte e ruidoso. Parei para ver como redemoinhava no angulo do  paredão do jardim. Nyakoko que por ali passasse teria dificuldades em vencer  aquele turbilhão. Como chovia  estava só nem mesmo os empregados da alfandega e guarda fiscal se viam. Visto e revisto segui o meu  destino. A surpresa por vezes aparecia e nos ajustava a uma realidade que a cidade ocultava. Carro parado encostado á mãe de agua, como que escondido. Alguma coisa se passou. Será que a corrente entupiu a captação? Espreitei. Não, não era de gente de desentupir canos nem tecnicos avaliadores de qualquer ocorrência. Um casal, não acasalado, conversava com algum carinho, talvez suprindo carências ou agendando local mais apropriado.

A minha boca fechou-se  e no meu olhar apenas ficou a fotografia irrevelável . Assumi a pose dos três macaquinhos á sombra de imbondeiro .Confirmavam que me viram os seus olhos , ao cruzarmo-nos  em qualquer ponto da cidade ,denunciavam  comprometimento. 

Não era estanho na cidade essas poses. Umas mais  expostas outras mais recatadas. Em qualquer sociedade isto acontece e porque não em Tete? No interior do sertão africano….carente de acontecimentos extras....

 A prova real surgiu com a vinda de diferenciadas que frequentavam a Taberna do Cigano, o Maxime e outros bares. Foi uma época de oportunidades em todas as áreas comerciais e urbanas e em todos os sentidos sociais. Affaires  codificados  sem calhamaço de registo.Migrantes que chegavam sem carta de chamada ou certidão de registo criminal. A cidade acolhei-as. Encontrando cada uma o  seu lugar ou ocupando o lugar de  outra……

sábado, 18 de janeiro de 2014

A BANCA ANOS 60/70

Mal cheirou á construção da barragem de Cahora Bassa, os donos das instituições bancárias,  grandes gorilas do dinheiro começaram a bater calcanhar . 
Não foi preciso atravessar o rio de batelão muitas vezes, porque a ponte ainda só estava no papel, para se instalarem em Tete.
Até aos últimos anos da década de 60, o BNU era rei e senhor, apenas os correios  lhe faziam algumas cocegas com a“ caderneta” de poupança. 
Ficou lá sozinho na zona norte .Zona mais antiga da cidade que era o eixo sul/norte entre os dois fortes –São Tiago e D.Luiz
Toda a banca privada , assentou praça  mais a centro. Na rua que ligava a circunvalação ao rio. Então chamada de Antonio Eanes(nova Julius Nierere) ou na proximidade  .


Descendo a rua,  o primeiro a aparecer  era o Standard Totta. Uma agencia pequena , simpática, com algumas excepções. No rés do chão era o atendimento geral e na sobreloja a gerência.
Três ou quatro épocas de chuva chegaram para dar lugar á pastelaria Caravela, famosa pelos pasteis de nata .Escolheu  o cruzamento ,  onde a casa do juiz, cocoana no lugar, viu nascer a Univendas e toda a urbanização vizinha. 

Na esquina oposta conservador  Pinto e Sotto Mayor, agarrado a velha tradição de banco metropolitano, nunca acrescentou ao seu símbolo a palavra Moçambique.

Passado esse  cruzamento  nevrálgico, do lado direito, colado á Sotete, muito arrumadinho ficava o Montepio de Moçambique Era o mais mitimba. A sua área de negócio apelaria a que tivesse vindo mais cedo, ainda chegou a tempo de fazer moça no mercado da concorrência.

Um pouco mais e  Hotel Zambeze  lugar de reunião dos boca negras, “dos” rubrica milandos, que quando não tinham nada para dizer inventavam. O diário falado era ali publicado.


No res do chão  do hotel o filho fugitivo dos correios-- o Instituto de Crédito de Moçambique, hospedou-se, deixou de fazer cócegas ao BNU porque os outros já o arranhavam

o

Do lado direito , na avenida principal,   entre o bomba da Zambézia e o Megaza ,abriu porta o BCCI. Comecei por descer a rua para guardar este para último. 


Se entre todos os empregados bancários havia muita gente simpática, este reuniu a simpatia num grupo.

Já não conseguirei mencionar todas as pessoas , bancários em Tete no meu tempo, mas ainda há muitos que aparecem aos convívios e nas redes sociais da internet.

Insatisfeito com o lugar, velho e solitário, o BNU largou as sapatilhas esfoladas enfiou um ténis de marca  e procurou a companhias dos outros. Como estatal e emissor, não teve falta de “cobir” , construiu  casa própria apalaçada,  mesmo no cruzamento, ocupou área e em torre para que pudesse vigiar os outros.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014





  Dá gosto ver estas fotografias.
  Um dos recantos  mais  identificativos da cidade.  Quem chegasse á outra margem, Matundo, na era do batelão, era a torre da igreja  que sobressaía altiva,senhora do lugar,  depois o casario ao longo  do  rio protegido pela serra . 
  Aqui neste domínio,  ocupando um quarteirão, funcionou por décadas o único colégio/liceu. Foi tendo continuidade(certamente desde 1624  **) até tornar-se polo da Universidade Católica de Moçambique. 
  A história que contem mereceu ter esse destino . Continuar a contribuir para o enriquecimento cultural dos jovens , dando-lhes outras perspetivas futuras. Sempre a juventude tetense necessitou de mais instituições  de ensino , secundárias, profissionais e superiores. 
  Felizmente , vontades diferentes, abriram-se nesse sentido.Bom para  os estudantes que não necessitam de abandonar a sua terra . 
  Uma formatura vocacional ,numa província rica e em crescimento , é um bem para eles ,para a região e para o país.  
  Apraz-me registar esta reabilitação, mantendo a traça urbana e o bom destino que lhe deram.

**A fundação de Tete data de princípios do Século XVI (1531). 
Em 1563 já havia na povoação uma igreja, doada aos missionários que daí irra­diavam pelo sertão, e, em 1624, um colé­gio , chamado do Espírito Santo(www.net)



segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

PRAÇA 25 DE OUTUBRO (Antigo Jardim da Alfandega)

- O   sossego, o chilrear dos pássaros coloridos migrantes e os
segredos do rio batendo na muralha, residem em saudade.O Jar-
dim dos meus encantos não resistiu ás ideias dos novos tempos .
Enriqueceu-se em esplanadas  e encontrou-se com o divertimento
 do povo.Nada mais certo que dar um bom destino a tudo aquilo de que gostamos.  A favor do bem estar,do prazer alegre da convivência ritmada sem duvida, uma alternativa feliz.
                                                    

 A saudade residente ainda tem lugar apesar do rio se afastar, sem pedir licença ás horas de contemplação em toda a sua plenitude.  Ergueu um campo entre a muralha e o seu rico leito e  corre veloz,arrogante,despretensioso Já não afaga o  porto e a muralha centenária.Nem lhe bate quando raivoso em tempo de chuva.  Já não carrega os segredos de secretos encontros,na rampa em descida ,  dos ardentes ou furtivos beijos .Outros encontros se encontram.
E o Jardim continua a ser o livro de páginas invisiveis onde tudo o que  ali se passa fica escrito.
                                                                                           

                                                                            .

Esse pedaço de rio, que se renova, deixou de rubricar milandos  e de abençoar pertinho os enlaces duradouros.  Mas tudo vai mudando e um dia poderá acontecer em que volte a bater o ritmo na muralha, alegrando mais esse pequeno, mas importante recanto da vetusta cidade. (fotos0                                                                                       

domingo, 15 de dezembro de 2013

O SANTIAGO MORREU

LUGARES DE ESTÓRIAS POR CONTAR

Minguem tem dúvidas que a caixinha mágica  da tv, revolucionou o mundo. Tete não fugiu dessa revolução . Criou os meios e difundiu-os  por todo o pais . Modernizou e as famílias começaram a dispor , dentro de casa, da “caixinha” que os informa dos acontecimentos mundiais e os diverte em programas de  entretenimento  e filmes que outrora viam nos três locais que serviam a cidade.Se o mais moderno já desapareceu ,dando lugar a um hotel, se o anterior se mantém para outros fins, suspira-se….. e lamenta-se. Mas o primeiro esse padrão de cultura duma época , inegável,  gera uma pena  que vai ficar escrita na história tetense. O velho S.Tiago  está irreconhecivel. Deixou de ser a sala que a cidade precisa.  Sentava.se quem comprasse o bilhete, fosse qual fosse a raça ou credo, divertindo-se numa animada cowboyada americana, num musical de boa disposição italiano , numa paixão francesa ardente de amor  ou num longo drama amor indiano. Não faltava assistência e até se lutava para se adquirir bilhete quando o titulo do filme vinha com rotulo de bom. Fervilhava nos fins de semana , com três sessões. Manhã , indiano, por  serem muitos longos .Tarde as matinés , maiores de 6 anos, encontros e desencontros de namoricos.Noite , indiferenciados, para  a família e outros. O teatro que por ali se fez  bem podia ter continuidade e assim a  chamar juventude a esse tipo de cultura.

Toda  sua história vai desaparecer e um dia certamente , um edifício o irá substituir com outro tipo de actividade.Definitivamente o  Cinema S.Tiago morreu.




ONDE AS PEDRAS CHORAM........


O tempo não perdoa quem  nada faça por aquilo que foi estimado.A velha escadaria a desfazer-se, era imponente e dava um ar apalaçado ao edifício. Em cada degrau se poderá  escrever um verso , de muitos e longos poemas de amores. Degraus que foram bancos de carinhos irreverentes no despertar da adolescência .Encontros amorosos de primeiros beijos.

Uma perola colonial, onde um restaurante /bar funcionava , os Carlettis,  era um ponto de encontro de gente de bom gosto . Restaurante de paladar greco-moçambicano , apelativo aos festejos de aniversário ou um jantar com a exigência de um acontecimento mais querido. No piso de cima funcionava o notário , em tete-no-meu-tempo, era o Dr. Tramela Conde. Pessoa afável e de cumprimento fácil e popular. Não impunha mas dialogava para, nos casos mais difíceis, se encontrar a melhor solução . Coadjuvava-o o Mario Batalha, desportista  e bastante social. Os escritórios do Senhor Chaby e Campeão  dava um estatuto mais complementar ao edifício. Na base o comercio do senhor Casimiro Martins  acrescentava o movimento que se sentia em toda a periferia do edifio.

Emblemático constitui sem a menor duvida  uma  peça histórica , merece que lhe atribuam  mais atenção. É pena que tudo  o  que  viveu  se  esvazie  nas pedras que desmoronam. Que os segredinhos lembrados fiquem subterrados. Que os tetenses deixem, de viver os momentos passados nesse lugar que foi coração da cidade. Ainda há muitos residentes, pais ou avós,que recordam ,com certeza, os momentos de então, que por ali viveram. A sua reabilitação seria uma gratidão a quem ainda sente ,nostálgico, tempos  que o tempo levou. Um museu, uma casa da cultura, uma escola…enfim aquilo que na verdade merecer.

Tete, das cidades mais vetustas de Moçambique  requer  mais atenção na conservação de edifícios que a identificam  este é sem dúvida um deles

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

PASSEIO Á CHUVA



Passeio á chuva

..umas nuvens escuras vindas do lado do Zobué sobrevoavam Moatize, chuva que parecia ser passageira, seria de aproveitar. Saí com destino ao rio para apreciar o que dava um prazer incontrolável o encontro das pingas de descarga grossa com a turbulência do rio . Esperei ,esperei e começou-me a cansar a demora. Encostei e o Dominó foi a minha paragem de espera .O café de muitas recordações. A afabilidade dos empregados á simpatia do Torrão conservavam naquele pequeno espaço um clima de bem estar. Ali se cruzava muita gente e se combinavam encontros de negócios ou de namoricos. O cinema dava-lhe mais vida pelas horas do filme e ao domingo era de facto o dia maior do Dominó. Lugar de ver sair ou entrar saboreando um fresco mazagran ou um wisky saloio onde o ginger-ale mandava na percentagem. Não era difícil não encontrar alguém , mesmo que manhã fosse de sábado quente . Lá estávamos três e palavra puxa palavra em diferentes opiniões. O Santos Martins era mais ortodoxo e puxava a conversa para os feitos bélicos , bem lá no interior ou no norte, que desconhecíamos. Exaltava-se com frequência .No momento bem mais que o habitual porque se sentou na mesa o Magalhães, que sempre ,discordava com a sua ortodoxia. Magalhães , um relações publicas nato, estava prestes a deixar Tete , porque a firma onde era gerente o chamou para a Beira, refutava serenamente num português bem mais vernáculo o que o desarmava com facilidade. Nesta de estar sentado com vontade de se levantar, venceu a vontade e o jornalista saiu, apenas com um gesto para a mesa dos senhores Chaby e Garção ,sem qualquer saudação como se fosse á procura da chuva que eu esperava….
Por fim lá veio ela bem forte e saí , arranquei até junto ao jardim da alfandega(lugar de muitas recordações), onde uma gazela refém e solitária sofria todas as inclemências do tempo. Por lá ficou o Magalhães e o Torrão em cavaqueira. A chuva era de facto forte e o Zambeze já ia farto, mais farto ficou. Engrossando o caudal com a rapidez da chuva ,depressa se espraiou pelas margens. Enquanto bateu forte no carro deixei-me estar.... e mal começou a abrandar foi ver se deu para fazer poça …lá para o Nhartanda. Ali quando poça ficasse, passados poucos dias, nasciam lindos nenúfares duma beleza ímpar.Lugar natural de tais nascimentos mas que nunca fora aproveitado para que o bouquet continuasse sempre vivo.

Defeitos dos muitos com que a cidade convivia.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

sábado, 10 de novembro de 2012

ARVORES DE FOLHA CADUCA

Gosto das arvores de folha caduca
Que se vestem de rubro, amarelo ou castanho,
quando o outono chega,
Que as deixam cair a cobrir o chão…
.. ovais, estreitas, curtas ou compridas,
outras , as do meu gosto, em coração
Formando  manto  natural,
matiz que verde já fora,
Que purificaram o ar que respiramos
Que deram flores e frutos
Com que nos alimentamos

Gosto das arvores de folham caduca,
…sinónimos de mudança..
Dando-nos calendário de estação
Porque perderam ,
mas fortes se recompõem,
Brotando toda a sua força
Numa  exuberância  de verde,
novo nascimento
em produção de  vida.
orgulhosas das suas novas folhas
resplandecem em florescência
..em quadro multicolor…
e frutos que nos oferecem
com seus sabores….

Gosto das arvores de folha caduca…

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

GRITO DOLOROSO

Hoje
Mina alma pariu,
um grito silencioso
Numa angustia de revolta.
A revolta de não ter o poder:
De julgar, de impor e acabar.
De julgar esses irresponsáveis
Que dissiparam o povo,
culpados de gestão danosa…
De impor a reposição
do tesouro roubado ,
De acabar com a pobreza,
o desemprego,
a mendicidade exposta… e escondida….
Duma população sofrida..

Na rua principal da cidade
Ajoelhada no chão que todos pisam
Estendia a mão á caridade,
Era uma mãe portuguesa
Séria e amada
Apelando por pena
Para matar a fome,
a jovens e idosos,
á família desempregada.

Enquanto assim…, a minha alma
Vai parir gritos dolorosos !!

domingo, 4 de novembro de 2012

TETE -MENINA VAIDOSA

Só gostava de ti
quem contigo vivia,
eras quente, seca,
infante;
mas tinhas um abraço
aconchegante,
num beijo fresco
de agua corrente,
quem te visitava, 
ficava,
esquecia a poeira
o calor ofegante
vi-te crescer, airosa
e quando começaste
a ter cada vez mais
roupa vaidosa
tive que te deixar
olhei para trás a lacrimejar

mas nunca mais te esqueci

in  chaoluso.blogsopt.com

sábado, 21 de julho de 2012

                                          Mulher e as rugas idade




                                                  Duas negras perolas, que são raras,



...são os teus olhos,



Enriquecidas pelas rugas da idade



Como gosto de vê-las, quando sorris.



..são uma brochura



de cartas de amor,



histórias, passagens..



momentos de sonho e de delírios



São esposa, mãe.... onde estiver



são felicidade, amor... e martírios



Nunca as disfarces... MULHER

quarta-feira, 18 de julho de 2012


TERRA PERFUMADA

Cheira-me a pó de terra vermelha,
A rio forte que corre velozmente,
Cheira-me á florescencia da mangueira
A pêra goiaba....... a maçaniqueira 

Cheira-me a chuva diáfana e bondosa
e sinto encostado ao embondeiro
a narureza, o alimentar da minha alma.

Deixem-me ficar assim absorto
Aqui, onde a vida me ofereceu
A terra que viu nascer ,
Tudo o que sou e tudo o que é meu.

sábado, 8 de outubro de 2011

DIA DE DOMINGO

 QUALQUER DOMINGO DE 1972


 Era domingo a cidade despertara cedo. Poucos eram os casais que se acompanhavam na missa. Ela, de vestido bem ajustado ao corpo, de tecido leve, a passar um pouco abaixo do joelho, coisas da moda, entrava na Igreja e procurava o lugar,o mais perto possível de conhecida, para ter ajuda no olhar crítico, ele de camisa branca, de casquinha de ovo, calças de linho , espreitava para ver onde a mulher ficara, cumprimentava em redor, e depressa se encaminhava para o café ao lado, onde, habitualmente, um grupo tinha mesa reservada.


Á porta do S.Tiago o movimento era outro, bem diferente.. saris de cores variadas, davam, naquela manhã, um tom festivo á entrada para filme indiano, que o cartaz indicava como um drama de amor. Fiel assistente a essas longas matinées, por vezes perdia-me no encanto dos saris e num lindo rosto moreno, acetinado e jovem, de longos cabelos negros e brilhantes , há quem os gostasse mais de ver em longa trança .. para mim soltos, meio cobertos, tinham outra graça ...Sessões houve que passava a hora do almoço e o desenlace do drama amoroso por acabar..


Na sessão da tarde respirava-se outro ambiente. Fosse qual fosse a fita, a juventude estava lá toda. Haviam lugares reservados ... ao apagar das luzes muitos mudavam de ocupante. Havia sempre desculpa para mudar de cadeira. Ali se encontravam os namoricos,onde não faltavam os beijinhos fugitivos, que por vezes se reafirmavam nos bailes dos clubes.


Quando os raios alaranjados do sol se espraiavam e o rio os acolhia num cenário arrebatador.. era hora do passeio. Corriam-se as montras á procura das novidades, pela rua Rafael Bivar, parava-se no meio, frente á Socote e dali o Valy Ossman, a Fersope, Tulcidás, Begas e outros; rua Freire de Andrade abaixo virava-se para Gen.Bettencourt estacionava-se frente ao ATCM (Automovel e Touring Clube de Moçambique)e espreitava-se o friso com a Zuid, Ouriversaria Mateus, Boutique Camelot da Teresa Batalha, Papelaria Lopes e o Christos Luscos.


Ao fim do dia rumava-se até ao aeroclube, enquanto nos resfescavamos, contemplavamos o sol a esconder-se, rodeado de inconfundiveis cores e sentiamo-nos uns privilegiados a admirar. A cidade não parara. Para alguns havia que escolher. Quem gostasse de cinema tinha três á escolha, o velho S.Tiago, o Estúdio 333, preferindo o ar condicionado. Para os amigos da natureza que de sentir o pulsar da noite, de leve brisa que subia o Zambeze, olhando o cruzeiro do Sul, que o luar quase que não deixava deslumbrar, optavam pelo Kudeca, ao ar livre virado ao rio era uma pérola da cidade morena de lábios doces.


Aos mais noctívagos não faltavam bares e o Maxime era o centro de atenções, provocando alguns escândalos na cidade... era outra época. O burgo começara-se a habituar e alguns dos mais críticos tornaram-se os mais frequentadores. Eram já muitos os divertimentos nocturnos a que voltaremos, quando nos debruçarmos sobre as quermesses e os bailes dos clubes.


O dia de domingo passou mas os amigos prolongavam-no pela noite , sentados ao fresco em serões de tertúlia de bem conversar.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

ONDE MATAR A SEDE

TEXTO RECUPERADO



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TETE DO MEU TEMPO Oct 5, '07 2:20 PM






por 1963joaopara todos


ONDE MATAR A SEDE




..... a cidade crescia e as horas de trabalho prolongavam-se pela noite fora. Os bares, cafés e restaurantes davam trabalho e emprego a muitos tetenses. Proliferavam pela cidade desde a circunvalação até á beira rio.

A população escolhia-os de acordo com o seu status social , os amigos ou por uma questão de hábito e conhecimento pessoal do dono.As garrafas de cerveja, fosse qual fosse a marca, Manica, 2 M ou Laurentina eram autenticas "bazucas" de consolo acompanhadas com pratinhos de dobrada ou camarão, agazalhados com o sabor do piri-piri sacana, que se libertava com o correr do liquido gelado.


Se começarmos pelo Bar do Fernando Soares Pereira, não é mais que recuar no tempo, quando era o ponto de encontro principal da população citadina. Os que se seguiam desconhece-se, mas bem perto havia o Alves e mais abaixo o Central, onde a proprietária, fotógrafa amadora , perguntava á primeira chapa: – quer com ou sem gravata ?


O Copacana refugiava-se na Circunvalação, contrária ao da bela zona da cidade do Rio de Janeiro, e o PicNic pelo nome, bem melhor ficaria no jardim da alfandega á beira rio,circunscrisção exclusiva do Almadia, pousou na Isequiel Bettencourt mesmo na alma da cidade. O Beira Alta acertou na rua ,a circunvalação, não só³ era a beira como tambem a parte mais alta da cidade.


Para que nem tudo fosse colorido, pelas cowboiadas e as lindas artistas da época , Sofia Loren,Gina Lolobrigida, Brigitte Bardot, Mónica Vitti ,Caterine Deneuve ..and so on, o Dominó abria o seu jogo, ao lado dos cinemas, baralhava todas as pedras de preto e branco, juntava á hora da saída as capicua de final de jogada.


Parecia-nos desacompanhado o Bar-restaurante Freitas , engano, era ali que os condutores de grandes percursos encharcavam o nsomba pende fresquinho que quase saltava do rio para frigideira e logo no prato.


Percorrendo este passeio alcoólico, teríamos que parar no velho e histórico Carlettis, santuá¡rio de tantos namoros perdidos, ficava na Gabriel Teixeira, nome de governador que foi de bom gosto pois whisky só escocês . Embalados pelo gosto paramos onde o Zambe, era lugar de contraste, além de bar era restaurante e apeadeiro dos assistentes á santa saí­da da igreja nova,pelas manhãs de domingo.


Por vezes há uma Estrela na vida duma pessoa e antes de visitarmos o bar do mesmo nome, passamos pela Marisqueira e salão do Zambeze , eram talvez os lugares onde os homens de negócios mais tramavam o consumidor, por vezes em tertúlias mais prolongadas, deslocavam-se ao Aero Clube para terem uma visão mais panorâmica dos preços e raciocinarem melhor .


Antes de entrarmos na noite, seria melhor adocicarmos o paladar, para o álcool não surtir tanto efeito, com uma boa confecção, os pasteis de nata, eram uma maravilha da pastelaria Caravela ou da Bracarense que não ficavam muito longe uma da outra.


A noite, esperava-nos ansiosa de notas que saltassem nas mesas e o troco esquecido nos bolsos das servidoras,importadas do Moulin Rouge Beirense, de trajo ousado e pernas ao leu.

A Taberna do Cigano, respirava de alívio quando, os de lugares marcados, encantados com as “giocondas” ,sorviam whisky rebaptizado e mastigava amendoim ao preço do camarão.


Era apenas o intróito da madrugada. O Dancing Maxime afagava-os sorridentemente. Na mesa , sempre reservada caí­a a garrafa de scotch ,com o nome rabiscado no rótulo, tantas vezes quantas o nível baixasse. Entre os dois níveis ,o verdadeiro e espirituoso lí­quido evaporava-se e era preenchido pelo irmão brandy comprado no Xipamanine.


O espectáculo absorvia-os e o paladar traiçoeiro confundia-se nas pedras de gelo, aos cachos,que ajudavam a dar som á festa no tilintar dos copos. A luzes “sombreavam” o recinto, e quando uma streap, prata da casa, apareceu surpresa, abriu a primeira página do jornal regional falado “ O Milando- percorreu todos os bares ,cafés e restaurantes gratuitamente e em tempo record. A mulher do...dona de casa,exemplar, abandona o lar e marido para se dedicar á vida artista.

terça-feira, 14 de junho de 2011

PARA TI

Podes desfazer-te de tudo,
Até das essências do teu coração.
Podes soprar a saudade
Num forte gesto de emoção

Nada vale a pena o que possas fazer,
Nada te alisa o vinculo do passado.
Da terra mãe que te viu nascer
A alma contem o assento rendilhado


Com letras perfumadas de frutos e flores
Das acácias, mangas ….. tamarindos…
Num quadro feliz e multicolor
Daquelas tardes de fim de dias estivais
Quando nuvens fecham o sol em tons lindos
Entre momentos silenciosos e celestiais.

segunda-feira, 7 de março de 2011

A TOURADA

..as verónicas e as chicuelinas já circulavam no pensamento dos aficionados e falavam delas com naturalidade..as mulheres que nunca tinham ouvido falar dessas feminidades andavam preocupadas... mas quem serão?
O redondel lá para os lados do matadouro municipal, ia crescendo incorporado de madeiras exóticas de primeira da região... luxo dos luxos que muitas mobílias gostariam de “vestir”.. fortes e rijas de tons variados, iriam servir de assento “aos esculturais” das beldades da terra, a sensualidade feminina, bem mereciam a qualidade do repouso. Os trajos fizeram movimentar as modistas, ansiosas de acontecimentos e ávidas em fazer algo de diferente, rebuscando nas revistas mais conceituadas.
A cabeça de cartaz prometia. – El Matador Jose Trincheira – acompanhado com quadrilha de capinhas e bandarilheiros experientes , que vestidos a rigor “trajes de Luces” e andar gingão, emprestavam ao ambiente um verdadeiro ar de festa brava. A ganadaria Aguiar, era da terra, previamente treinada e espicaçada, era onde residia a dúvida. Mais bois que touros, animais do mato..do mato livre, iriam ficar certamente aterrorizados com o redondel e a praça que lhe cortava o horizonte...
Dizia o entendido, que até se intitulava ex-forcado da Chamusca... “com tanta gente os garraios vão se espevitar e investir com força em tudo o que se mexer.. não se esqueçam que são bichos do mato”

Foi uma gala a entrada, cortejo de gente vestida á maneira,com muito salero, onde não faltaram os lenços, xailes, chapeus de copa raza bem á alentejana, flores....... prometia.
O homem do clarim, sargento da CaçTete, oferecido para o evento... soprou as notas de abrir o curro e saida ...a fera apareceu, lançou-se na arena e estancou, como se em frente deparasse com a missão de Boroma... ficou triste e quedo que nem um embondeiro. Numa azafama sem parar os bandarilheiros bem tentaram enfurecê-lo.. sentia a picada, mas movimentar-se só como os ponteiros do relógio
A praça aplaudia o novilho e ria em uníssono. Zé Trincheira, calipolense de gema, fez tudo para que houvesse investidas... está bem está... reduzido aos seu espaço o quadrúpede não arredava pata. Inspirado um capinha conseguiu que ele se mexesse. Vamos ter tourada.. e tivemos mesmo, o animal fugia do toureiro em direcção contrária quem por lá tivesse fugia do touro..

-Substituam o boi!! Gritava a assistência. Assim acontecia, salvo erro cinco vezes, nenhum dos seguintes foi melhor que o primeiro.

De corrida passou a garraiada e era ver os capinhas (peões de breca), bandarilheiros, voluntários e até o Zé passaram a forcados( o tal ex-Chamusca desapareceu) e para completar o espectáculo, e merecerem alguns aplausos que os novilhos levaram, pegaram á cernelha..... e tantos eram que quase o levaram ao colo. Mas o orgulhoso do mato, não baixou a cabeça ,por mais força que fizessem.

Ficou a festa e todo o ambiente que se gerou. A companhia taurina desapareceu e não pagou nada a ninguém e também nada viram de verónicas e chicuelinas as curiosas preocupadas...

Estávamos no ano de mil novecentos e setenta da nossa era tetense....