segunda-feira, 11 de novembro de 2013
sábado, 10 de novembro de 2012
ARVORES DE FOLHA CADUCA
Gosto das arvores de folha caduca
Que se vestem de rubro, amarelo ou castanho,
quando o outono chega,
Que as deixam cair a cobrir o chão…
.. ovais, estreitas, curtas ou compridas,
outras , as do meu gosto, em coração
Formando manto natural,
matiz que verde já fora,
Que purificaram o ar que respiramos
Que deram flores e frutos
Com que nos alimentamos
Gosto das arvores de folham caduca,
…sinónimos de mudança..
Dando-nos calendário de estação
Porque perderam ,
mas fortes se recompõem,
Brotando toda a sua força
Numa exuberância de verde,
novo nascimento
em produção de vida.
orgulhosas das suas novas folhas
resplandecem em florescência
..em quadro multicolor…
e frutos que nos oferecem
com seus sabores….
Gosto das arvores de folha caduca…
quarta-feira, 7 de novembro de 2012
GRITO DOLOROSO
Hoje
Mina alma pariu,
um grito silencioso
Numa angustia de revolta.
A revolta de não ter o poder:
De julgar, de impor e acabar.
De julgar esses irresponsáveis
Que dissiparam o povo,
culpados de gestão danosa…
De impor a reposição
um grito silencioso
Numa angustia de revolta.
A revolta de não ter o poder:
De julgar, de impor e acabar.
De julgar esses irresponsáveis
Que dissiparam o povo,
culpados de gestão danosa…
De impor a reposição
do tesouro roubado ,
De acabar com a pobreza,
o desemprego,
a mendicidade exposta… e escondida….
De acabar com a pobreza,
o desemprego,
a mendicidade exposta… e escondida….
Duma população sofrida..
Na rua principal da cidade
Ajoelhada no chão que todos pisam
Estendia a mão á caridade,
Era uma mãe portuguesa
Séria e amada
Apelando por pena
Para matar a fome,
a jovens e idosos,
Ajoelhada no chão que todos pisam
Estendia a mão á caridade,
Era uma mãe portuguesa
Séria e amada
Apelando por pena
Para matar a fome,
a jovens e idosos,
á família desempregada.
Enquanto assim…, a minha alma
Vai parir gritos dolorosos !!
domingo, 4 de novembro de 2012
TETE -MENINA VAIDOSA
Só gostava de ti
quem contigo vivia,
eras quente, seca,
infante;
mas tinhas um abraço
aconchegante,
num beijo fresco
de agua corrente,
quem te visitava,
quem contigo vivia,
eras quente, seca,
infante;
mas tinhas um abraço
aconchegante,
num beijo fresco
de agua corrente,
quem te visitava,
ficava,
esquecia a poeira
o calor ofegante
vi-te crescer, airosa
e quando começaste
a ter cada vez mais
roupa vaidosa
tive que te deixar
olhei para trás a lacrimejar
mas nunca mais te esqueci
esquecia a poeira
o calor ofegante
vi-te crescer, airosa
e quando começaste
a ter cada vez mais
roupa vaidosa
tive que te deixar
olhei para trás a lacrimejar
mas nunca mais te esqueci
in chaoluso.blogsopt.com
sábado, 21 de julho de 2012
Mulher e as rugas idade
Duas negras perolas, que são raras,
...são os teus olhos,
Enriquecidas pelas rugas da idade
Como gosto de vê-las, quando sorris.
..são uma brochura
de cartas de amor,
histórias, passagens..
momentos de sonho e de delírios
São esposa, mãe.... onde estiver
são felicidade, amor... e martírios
Nunca as disfarces... MULHER
quarta-feira, 18 de julho de 2012
TERRA PERFUMADA
Cheira-me a pó de terra vermelha,
A rio forte que corre velozmente,
Cheira-me á florescencia da mangueira
A pêra goiaba....... a maçaniqueira
Cheira-me a chuva diáfana e bondosa
e sinto encostado ao embondeiro
a narureza, o alimentar da minha alma.
Deixem-me ficar assim absorto
Aqui, onde a vida me ofereceu
A terra que viu nascer ,
Tudo o que sou e tudo o que é meu.
A rio forte que corre velozmente,
Cheira-me á florescencia da mangueira
A pêra goiaba....... a maçaniqueira
Cheira-me a chuva diáfana e bondosa
e sinto encostado ao embondeiro
a narureza, o alimentar da minha alma.
Deixem-me ficar assim absorto
Aqui, onde a vida me ofereceu
A terra que viu nascer ,
Tudo o que sou e tudo o que é meu.
sábado, 8 de outubro de 2011
DIA DE DOMINGO
QUALQUER DOMINGO DE 1972
Era domingo a cidade despertara cedo. Poucos eram os casais que se acompanhavam na missa. Ela, de vestido bem ajustado ao corpo, de tecido leve, a passar um pouco abaixo do joelho, coisas da moda, entrava na Igreja e procurava o lugar,o mais perto possível de conhecida, para ter ajuda no olhar crítico, ele de camisa branca, de casquinha de ovo, calças de linho , espreitava para ver onde a mulher ficara, cumprimentava em redor, e depressa se encaminhava para o café ao lado, onde, habitualmente, um grupo tinha mesa reservada.
Á porta do S.Tiago o movimento era outro, bem diferente.. saris de cores variadas, davam, naquela manhã, um tom festivo á entrada para filme indiano, que o cartaz indicava como um drama de amor. Fiel assistente a essas longas matinées, por vezes perdia-me no encanto dos saris e num lindo rosto moreno, acetinado e jovem, de longos cabelos negros e brilhantes , há quem os gostasse mais de ver em longa trança .. para mim soltos, meio cobertos, tinham outra graça ...Sessões houve que passava a hora do almoço e o desenlace do drama amoroso por acabar..
Na sessão da tarde respirava-se outro ambiente. Fosse qual fosse a fita, a juventude estava lá toda. Haviam lugares reservados ... ao apagar das luzes muitos mudavam de ocupante. Havia sempre desculpa para mudar de cadeira. Ali se encontravam os namoricos,onde não faltavam os beijinhos fugitivos, que por vezes se reafirmavam nos bailes dos clubes.
Quando os raios alaranjados do sol se espraiavam e o rio os acolhia num cenário arrebatador.. era hora do passeio. Corriam-se as montras á procura das novidades, pela rua Rafael Bivar, parava-se no meio, frente á Socote e dali o Valy Ossman, a Fersope, Tulcidás, Begas e outros; rua Freire de Andrade abaixo virava-se para Gen.Bettencourt estacionava-se frente ao ATCM (Automovel e Touring Clube de Moçambique)e espreitava-se o friso com a Zuid, Ouriversaria Mateus, Boutique Camelot da Teresa Batalha, Papelaria Lopes e o Christos Luscos.
Ao fim do dia rumava-se até ao aeroclube, enquanto nos resfescavamos, contemplavamos o sol a esconder-se, rodeado de inconfundiveis cores e sentiamo-nos uns privilegiados a admirar. A cidade não parara. Para alguns havia que escolher. Quem gostasse de cinema tinha três á escolha, o velho S.Tiago, o Estúdio 333, preferindo o ar condicionado. Para os amigos da natureza que de sentir o pulsar da noite, de leve brisa que subia o Zambeze, olhando o cruzeiro do Sul, que o luar quase que não deixava deslumbrar, optavam pelo Kudeca, ao ar livre virado ao rio era uma pérola da cidade morena de lábios doces.
Aos mais noctívagos não faltavam bares e o Maxime era o centro de atenções, provocando alguns escândalos na cidade... era outra época. O burgo começara-se a habituar e alguns dos mais críticos tornaram-se os mais frequentadores. Eram já muitos os divertimentos nocturnos a que voltaremos, quando nos debruçarmos sobre as quermesses e os bailes dos clubes.
O dia de domingo passou mas os amigos prolongavam-no pela noite , sentados ao fresco em serões de tertúlia de bem conversar.
Era domingo a cidade despertara cedo. Poucos eram os casais que se acompanhavam na missa. Ela, de vestido bem ajustado ao corpo, de tecido leve, a passar um pouco abaixo do joelho, coisas da moda, entrava na Igreja e procurava o lugar,o mais perto possível de conhecida, para ter ajuda no olhar crítico, ele de camisa branca, de casquinha de ovo, calças de linho , espreitava para ver onde a mulher ficara, cumprimentava em redor, e depressa se encaminhava para o café ao lado, onde, habitualmente, um grupo tinha mesa reservada.
Á porta do S.Tiago o movimento era outro, bem diferente.. saris de cores variadas, davam, naquela manhã, um tom festivo á entrada para filme indiano, que o cartaz indicava como um drama de amor. Fiel assistente a essas longas matinées, por vezes perdia-me no encanto dos saris e num lindo rosto moreno, acetinado e jovem, de longos cabelos negros e brilhantes , há quem os gostasse mais de ver em longa trança .. para mim soltos, meio cobertos, tinham outra graça ...Sessões houve que passava a hora do almoço e o desenlace do drama amoroso por acabar..
Na sessão da tarde respirava-se outro ambiente. Fosse qual fosse a fita, a juventude estava lá toda. Haviam lugares reservados ... ao apagar das luzes muitos mudavam de ocupante. Havia sempre desculpa para mudar de cadeira. Ali se encontravam os namoricos,onde não faltavam os beijinhos fugitivos, que por vezes se reafirmavam nos bailes dos clubes.
Quando os raios alaranjados do sol se espraiavam e o rio os acolhia num cenário arrebatador.. era hora do passeio. Corriam-se as montras á procura das novidades, pela rua Rafael Bivar, parava-se no meio, frente á Socote e dali o Valy Ossman, a Fersope, Tulcidás, Begas e outros; rua Freire de Andrade abaixo virava-se para Gen.Bettencourt estacionava-se frente ao ATCM (Automovel e Touring Clube de Moçambique)e espreitava-se o friso com a Zuid, Ouriversaria Mateus, Boutique Camelot da Teresa Batalha, Papelaria Lopes e o Christos Luscos.
Ao fim do dia rumava-se até ao aeroclube, enquanto nos resfescavamos, contemplavamos o sol a esconder-se, rodeado de inconfundiveis cores e sentiamo-nos uns privilegiados a admirar. A cidade não parara. Para alguns havia que escolher. Quem gostasse de cinema tinha três á escolha, o velho S.Tiago, o Estúdio 333, preferindo o ar condicionado. Para os amigos da natureza que de sentir o pulsar da noite, de leve brisa que subia o Zambeze, olhando o cruzeiro do Sul, que o luar quase que não deixava deslumbrar, optavam pelo Kudeca, ao ar livre virado ao rio era uma pérola da cidade morena de lábios doces.
Aos mais noctívagos não faltavam bares e o Maxime era o centro de atenções, provocando alguns escândalos na cidade... era outra época. O burgo começara-se a habituar e alguns dos mais críticos tornaram-se os mais frequentadores. Eram já muitos os divertimentos nocturnos a que voltaremos, quando nos debruçarmos sobre as quermesses e os bailes dos clubes.
O dia de domingo passou mas os amigos prolongavam-no pela noite , sentados ao fresco em serões de tertúlia de bem conversar.
segunda-feira, 22 de agosto de 2011
ONDE MATAR A SEDE
TEXTO RECUPERADO
17 comentários compartil9har
TETE DO MEU TEMPO Oct 5, '07 2:20 PM
por 1963joaopara todos
ONDE MATAR A SEDE
..... a cidade crescia e as horas de trabalho prolongavam-se pela noite fora. Os bares, cafés e restaurantes davam trabalho e emprego a muitos tetenses. Proliferavam pela cidade desde a circunvalação até á beira rio.
A população escolhia-os de acordo com o seu status social , os amigos ou por uma questão de hábito e conhecimento pessoal do dono.As garrafas de cerveja, fosse qual fosse a marca, Manica, 2 M ou Laurentina eram autenticas "bazucas" de consolo acompanhadas com pratinhos de dobrada ou camarão, agazalhados com o sabor do piri-piri sacana, que se libertava com o correr do liquido gelado.
Se começarmos pelo Bar do Fernando Soares Pereira, não é mais que recuar no tempo, quando era o ponto de encontro principal da população citadina. Os que se seguiam desconhece-se, mas bem perto havia o Alves e mais abaixo o Central, onde a proprietária, fotógrafa amadora , perguntava á primeira chapa: – quer com ou sem gravata ?
O Copacana refugiava-se na Circunvalação, contrária ao da bela zona da cidade do Rio de Janeiro, e o PicNic pelo nome, bem melhor ficaria no jardim da alfandega á beira rio,circunscrisção exclusiva do Almadia, pousou na Isequiel Bettencourt mesmo na alma da cidade. O Beira Alta acertou na rua ,a circunvalação, não só³ era a beira como tambem a parte mais alta da cidade.
Para que nem tudo fosse colorido, pelas cowboiadas e as lindas artistas da época , Sofia Loren,Gina Lolobrigida, Brigitte Bardot, Mónica Vitti ,Caterine Deneuve ..and so on, o Dominó abria o seu jogo, ao lado dos cinemas, baralhava todas as pedras de preto e branco, juntava á hora da saída as capicua de final de jogada.
Parecia-nos desacompanhado o Bar-restaurante Freitas , engano, era ali que os condutores de grandes percursos encharcavam o nsomba pende fresquinho que quase saltava do rio para frigideira e logo no prato.
Percorrendo este passeio alcoólico, teríamos que parar no velho e histórico Carlettis, santuá¡rio de tantos namoros perdidos, ficava na Gabriel Teixeira, nome de governador que foi de bom gosto pois whisky só escocês . Embalados pelo gosto paramos onde o Zambe, era lugar de contraste, além de bar era restaurante e apeadeiro dos assistentes á santa saída da igreja nova,pelas manhãs de domingo.
Por vezes há uma Estrela na vida duma pessoa e antes de visitarmos o bar do mesmo nome, passamos pela Marisqueira e salão do Zambeze , eram talvez os lugares onde os homens de negócios mais tramavam o consumidor, por vezes em tertúlias mais prolongadas, deslocavam-se ao Aero Clube para terem uma visão mais panorâmica dos preços e raciocinarem melhor .
Antes de entrarmos na noite, seria melhor adocicarmos o paladar, para o álcool não surtir tanto efeito, com uma boa confecção, os pasteis de nata, eram uma maravilha da pastelaria Caravela ou da Bracarense que não ficavam muito longe uma da outra.
A noite, esperava-nos ansiosa de notas que saltassem nas mesas e o troco esquecido nos bolsos das servidoras,importadas do Moulin Rouge Beirense, de trajo ousado e pernas ao leu.
A Taberna do Cigano, respirava de alívio quando, os de lugares marcados, encantados com as “giocondas” ,sorviam whisky rebaptizado e mastigava amendoim ao preço do camarão.
Era apenas o intróito da madrugada. O Dancing Maxime afagava-os sorridentemente. Na mesa , sempre reservada caía a garrafa de scotch ,com o nome rabiscado no rótulo, tantas vezes quantas o nível baixasse. Entre os dois níveis ,o verdadeiro e espirituoso líquido evaporava-se e era preenchido pelo irmão brandy comprado no Xipamanine.
O espectáculo absorvia-os e o paladar traiçoeiro confundia-se nas pedras de gelo, aos cachos,que ajudavam a dar som á festa no tilintar dos copos. A luzes “sombreavam” o recinto, e quando uma streap, prata da casa, apareceu surpresa, abriu a primeira página do jornal regional falado “ O Milando- percorreu todos os bares ,cafés e restaurantes gratuitamente e em tempo record. A mulher do...dona de casa,exemplar, abandona o lar e marido para se dedicar á vida artista.
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TETE DO MEU TEMPO Oct 5, '07 2:20 PM
por 1963joaopara todos
ONDE MATAR A SEDE
..... a cidade crescia e as horas de trabalho prolongavam-se pela noite fora. Os bares, cafés e restaurantes davam trabalho e emprego a muitos tetenses. Proliferavam pela cidade desde a circunvalação até á beira rio.
A população escolhia-os de acordo com o seu status social , os amigos ou por uma questão de hábito e conhecimento pessoal do dono.As garrafas de cerveja, fosse qual fosse a marca, Manica, 2 M ou Laurentina eram autenticas "bazucas" de consolo acompanhadas com pratinhos de dobrada ou camarão, agazalhados com o sabor do piri-piri sacana, que se libertava com o correr do liquido gelado.
Se começarmos pelo Bar do Fernando Soares Pereira, não é mais que recuar no tempo, quando era o ponto de encontro principal da população citadina. Os que se seguiam desconhece-se, mas bem perto havia o Alves e mais abaixo o Central, onde a proprietária, fotógrafa amadora , perguntava á primeira chapa: – quer com ou sem gravata ?
O Copacana refugiava-se na Circunvalação, contrária ao da bela zona da cidade do Rio de Janeiro, e o PicNic pelo nome, bem melhor ficaria no jardim da alfandega á beira rio,circunscrisção exclusiva do Almadia, pousou na Isequiel Bettencourt mesmo na alma da cidade. O Beira Alta acertou na rua ,a circunvalação, não só³ era a beira como tambem a parte mais alta da cidade.
Para que nem tudo fosse colorido, pelas cowboiadas e as lindas artistas da época , Sofia Loren,Gina Lolobrigida, Brigitte Bardot, Mónica Vitti ,Caterine Deneuve ..and so on, o Dominó abria o seu jogo, ao lado dos cinemas, baralhava todas as pedras de preto e branco, juntava á hora da saída as capicua de final de jogada.
Parecia-nos desacompanhado o Bar-restaurante Freitas , engano, era ali que os condutores de grandes percursos encharcavam o nsomba pende fresquinho que quase saltava do rio para frigideira e logo no prato.
Percorrendo este passeio alcoólico, teríamos que parar no velho e histórico Carlettis, santuá¡rio de tantos namoros perdidos, ficava na Gabriel Teixeira, nome de governador que foi de bom gosto pois whisky só escocês . Embalados pelo gosto paramos onde o Zambe, era lugar de contraste, além de bar era restaurante e apeadeiro dos assistentes á santa saída da igreja nova,pelas manhãs de domingo.
Por vezes há uma Estrela na vida duma pessoa e antes de visitarmos o bar do mesmo nome, passamos pela Marisqueira e salão do Zambeze , eram talvez os lugares onde os homens de negócios mais tramavam o consumidor, por vezes em tertúlias mais prolongadas, deslocavam-se ao Aero Clube para terem uma visão mais panorâmica dos preços e raciocinarem melhor .
Antes de entrarmos na noite, seria melhor adocicarmos o paladar, para o álcool não surtir tanto efeito, com uma boa confecção, os pasteis de nata, eram uma maravilha da pastelaria Caravela ou da Bracarense que não ficavam muito longe uma da outra.
A noite, esperava-nos ansiosa de notas que saltassem nas mesas e o troco esquecido nos bolsos das servidoras,importadas do Moulin Rouge Beirense, de trajo ousado e pernas ao leu.
A Taberna do Cigano, respirava de alívio quando, os de lugares marcados, encantados com as “giocondas” ,sorviam whisky rebaptizado e mastigava amendoim ao preço do camarão.
Era apenas o intróito da madrugada. O Dancing Maxime afagava-os sorridentemente. Na mesa , sempre reservada caía a garrafa de scotch ,com o nome rabiscado no rótulo, tantas vezes quantas o nível baixasse. Entre os dois níveis ,o verdadeiro e espirituoso líquido evaporava-se e era preenchido pelo irmão brandy comprado no Xipamanine.
O espectáculo absorvia-os e o paladar traiçoeiro confundia-se nas pedras de gelo, aos cachos,que ajudavam a dar som á festa no tilintar dos copos. A luzes “sombreavam” o recinto, e quando uma streap, prata da casa, apareceu surpresa, abriu a primeira página do jornal regional falado “ O Milando- percorreu todos os bares ,cafés e restaurantes gratuitamente e em tempo record. A mulher do...dona de casa,exemplar, abandona o lar e marido para se dedicar á vida artista.
terça-feira, 14 de junho de 2011
PARA TI
Podes desfazer-te de tudo,
Até das essências do teu coração.
Podes soprar a saudade
Num forte gesto de emoção
Nada vale a pena o que possas fazer,
Nada te alisa o vinculo do passado.
Da terra mãe que te viu nascer
A alma contem o assento rendilhado
Com letras perfumadas de frutos e flores
Das acácias, mangas ….. tamarindos…
Num quadro feliz e multicolor
Daquelas tardes de fim de dias estivais
Quando nuvens fecham o sol em tons lindos
Entre momentos silenciosos e celestiais.
Até das essências do teu coração.
Podes soprar a saudade
Num forte gesto de emoção
Nada vale a pena o que possas fazer,
Nada te alisa o vinculo do passado.
Da terra mãe que te viu nascer
A alma contem o assento rendilhado
Com letras perfumadas de frutos e flores
Das acácias, mangas ….. tamarindos…
Num quadro feliz e multicolor
Daquelas tardes de fim de dias estivais
Quando nuvens fecham o sol em tons lindos
Entre momentos silenciosos e celestiais.
segunda-feira, 7 de março de 2011
A TOURADA
..as verónicas e as chicuelinas já circulavam no pensamento dos aficionados e falavam delas com naturalidade..as mulheres que nunca tinham ouvido falar dessas feminidades andavam preocupadas... mas quem serão?
O redondel lá para os lados do matadouro municipal, ia crescendo incorporado de madeiras exóticas de primeira da região... luxo dos luxos que muitas mobílias gostariam de “vestir”.. fortes e rijas de tons variados, iriam servir de assento “aos esculturais” das beldades da terra, a sensualidade feminina, bem mereciam a qualidade do repouso. Os trajos fizeram movimentar as modistas, ansiosas de acontecimentos e ávidas em fazer algo de diferente, rebuscando nas revistas mais conceituadas.
A cabeça de cartaz prometia. – El Matador Jose Trincheira – acompanhado com quadrilha de capinhas e bandarilheiros experientes , que vestidos a rigor “trajes de Luces” e andar gingão, emprestavam ao ambiente um verdadeiro ar de festa brava. A ganadaria Aguiar, era da terra, previamente treinada e espicaçada, era onde residia a dúvida. Mais bois que touros, animais do mato..do mato livre, iriam ficar certamente aterrorizados com o redondel e a praça que lhe cortava o horizonte...
Dizia o entendido, que até se intitulava ex-forcado da Chamusca... “com tanta gente os garraios vão se espevitar e investir com força em tudo o que se mexer.. não se esqueçam que são bichos do mato”
Foi uma gala a entrada, cortejo de gente vestida á maneira,com muito salero, onde não faltaram os lenços, xailes, chapeus de copa raza bem á alentejana, flores....... prometia.
O homem do clarim, sargento da CaçTete, oferecido para o evento... soprou as notas de abrir o curro e saida ...a fera apareceu, lançou-se na arena e estancou, como se em frente deparasse com a missão de Boroma... ficou triste e quedo que nem um embondeiro. Numa azafama sem parar os bandarilheiros bem tentaram enfurecê-lo.. sentia a picada, mas movimentar-se só como os ponteiros do relógio
A praça aplaudia o novilho e ria em uníssono. Zé Trincheira, calipolense de gema, fez tudo para que houvesse investidas... está bem está... reduzido aos seu espaço o quadrúpede não arredava pata. Inspirado um capinha conseguiu que ele se mexesse. Vamos ter tourada.. e tivemos mesmo, o animal fugia do toureiro em direcção contrária quem por lá tivesse fugia do touro..
-Substituam o boi!! Gritava a assistência. Assim acontecia, salvo erro cinco vezes, nenhum dos seguintes foi melhor que o primeiro.
De corrida passou a garraiada e era ver os capinhas (peões de breca), bandarilheiros, voluntários e até o Zé passaram a forcados( o tal ex-Chamusca desapareceu) e para completar o espectáculo, e merecerem alguns aplausos que os novilhos levaram, pegaram á cernelha..... e tantos eram que quase o levaram ao colo. Mas o orgulhoso do mato, não baixou a cabeça ,por mais força que fizessem.
Ficou a festa e todo o ambiente que se gerou. A companhia taurina desapareceu e não pagou nada a ninguém e também nada viram de verónicas e chicuelinas as curiosas preocupadas...
Estávamos no ano de mil novecentos e setenta da nossa era tetense....
O redondel lá para os lados do matadouro municipal, ia crescendo incorporado de madeiras exóticas de primeira da região... luxo dos luxos que muitas mobílias gostariam de “vestir”.. fortes e rijas de tons variados, iriam servir de assento “aos esculturais” das beldades da terra, a sensualidade feminina, bem mereciam a qualidade do repouso. Os trajos fizeram movimentar as modistas, ansiosas de acontecimentos e ávidas em fazer algo de diferente, rebuscando nas revistas mais conceituadas.
A cabeça de cartaz prometia. – El Matador Jose Trincheira – acompanhado com quadrilha de capinhas e bandarilheiros experientes , que vestidos a rigor “trajes de Luces” e andar gingão, emprestavam ao ambiente um verdadeiro ar de festa brava. A ganadaria Aguiar, era da terra, previamente treinada e espicaçada, era onde residia a dúvida. Mais bois que touros, animais do mato..do mato livre, iriam ficar certamente aterrorizados com o redondel e a praça que lhe cortava o horizonte...
Dizia o entendido, que até se intitulava ex-forcado da Chamusca... “com tanta gente os garraios vão se espevitar e investir com força em tudo o que se mexer.. não se esqueçam que são bichos do mato”
Foi uma gala a entrada, cortejo de gente vestida á maneira,com muito salero, onde não faltaram os lenços, xailes, chapeus de copa raza bem á alentejana, flores....... prometia.
O homem do clarim, sargento da CaçTete, oferecido para o evento... soprou as notas de abrir o curro e saida ...a fera apareceu, lançou-se na arena e estancou, como se em frente deparasse com a missão de Boroma... ficou triste e quedo que nem um embondeiro. Numa azafama sem parar os bandarilheiros bem tentaram enfurecê-lo.. sentia a picada, mas movimentar-se só como os ponteiros do relógio
A praça aplaudia o novilho e ria em uníssono. Zé Trincheira, calipolense de gema, fez tudo para que houvesse investidas... está bem está... reduzido aos seu espaço o quadrúpede não arredava pata. Inspirado um capinha conseguiu que ele se mexesse. Vamos ter tourada.. e tivemos mesmo, o animal fugia do toureiro em direcção contrária quem por lá tivesse fugia do touro..
-Substituam o boi!! Gritava a assistência. Assim acontecia, salvo erro cinco vezes, nenhum dos seguintes foi melhor que o primeiro.
De corrida passou a garraiada e era ver os capinhas (peões de breca), bandarilheiros, voluntários e até o Zé passaram a forcados( o tal ex-Chamusca desapareceu) e para completar o espectáculo, e merecerem alguns aplausos que os novilhos levaram, pegaram á cernelha..... e tantos eram que quase o levaram ao colo. Mas o orgulhoso do mato, não baixou a cabeça ,por mais força que fizessem.
Ficou a festa e todo o ambiente que se gerou. A companhia taurina desapareceu e não pagou nada a ninguém e também nada viram de verónicas e chicuelinas as curiosas preocupadas...
Estávamos no ano de mil novecentos e setenta da nossa era tetense....
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
ARTE
Os trabalhos em pau preto, eram muito procurados para levar como recordação. Tete, não tinha um centro onde os artesãos os pudessem comercializar . O candeeiro em trança , a bengala, o terço, o cinzeiro de pé alto , cama de efeitos torneados ao gosto do comprador e muitos outros utensílios.
Havia um artefacto que me enchia as medidas.
A aldeia indígena.
Já não me lembro de quantas peças era composta ou se havia uma quantidade padrão. Sei que eram muitas; a palhota, pilão, copos, a palmeira, panela de trempe , a cadeira de encosto e o banco de pé alto; os tambores e os animais; parte da fonte de sustento da aldeia. Eu tinha uma , com as vicissitudes da vida se foi desmembrando ... Restam-me tão poucas que os guardo , não como um “recuerdo”, mas como objectos de arte. Arte porque tudo era feito sem as máquinas de agora, manuseada, em esforço, com engenhos rústicos e onde não faltava imaginação .Reprodução do comum que fazia parte da aldeia.
Havia um artefacto que me enchia as medidas.
A aldeia indígena.
Já não me lembro de quantas peças era composta ou se havia uma quantidade padrão. Sei que eram muitas; a palhota, pilão, copos, a palmeira, panela de trempe , a cadeira de encosto e o banco de pé alto; os tambores e os animais; parte da fonte de sustento da aldeia. Eu tinha uma , com as vicissitudes da vida se foi desmembrando ... Restam-me tão poucas que os guardo , não como um “recuerdo”, mas como objectos de arte. Arte porque tudo era feito sem as máquinas de agora, manuseada, em esforço, com engenhos rústicos e onde não faltava imaginação .Reprodução do comum que fazia parte da aldeia.
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
DA CHEGADA ..... Á PARTIDA
.....quando cheguei a cidade surpreendeu-me .Julgava que ia encontrar um bosque de palhotas de caminhos pedregosos e esburacados. Iria morrer de calor e pouco ou nada de conforto estaria á minha espera. Quando a avistei pela primeira vez ,do lado de lá, no Matundo, a minha visão precoce caiu por terra .
Vi corridinho de casas brancas, a torre da igreja um cenário bonito e acolhedor. Perante cenário inesperado a minha curiosidade foi descobri-la. descobrir a pequena cidade de ruas rectilíneas , enfeitada de acácias rubras casada com o rio , alegre e pacifica.
As pessoas, fosse qual fosse a cor e credo, eram amáveis e sabiam receber com simpatia ,a que por vezes não se conseguia corresponder.A sorte de ficar instalado mesmo no coração da cidade obrigava-me a um quotidiano de vizinho .O comercio era ali mesmo . Muito indiano e europeu , nenhum africano.
Cinemas um que tinha sido inaugurado no primeiro semestre de 63 , o Santiago . Clubes três mas o mais concorrido era o Sporting ou clube de baixo como era conhecido. Dois hotéis , Tete e Zambeze , este em construção faseada ,com a parte acabada em funcionamento era lugar de convívio .Bancos um o BNU .
Na educação, escolas primárias, não havia secundárias apenas um colégio particular religioso das Irmãs de S. José de Cluny.A maioria da juventude tetense . quem escola primária frequentasse, ficava por aí. Só a partir da classe mais afortunada poderia colocar os filhos no único colégio ou numa outra cidade.
Sentia-se a necessidade absoluta de abertura de ensino secundário publico.
A maioria das ruas por asfaltar soltavam o pó que encasulava a cidade, com temperaturas elevadíssimas tornava-a a mais quente do país e conhecida "cidade inferno cemitério de branco". Contrariava isto o residente com "quem bebe água do zambeze" fica e se partisse jamais esqueceria a cidade ainda gaiata.
Gaiata porque as perspectivas de crescimento estavam no projecto Cahora Bassa.Quando o grande paredão começou a erguer-se o "boom" aconteceu. A cidade gaiata começou a tornar mulher. A sua expansão foi em todos os domínios.
Proliferaram as agências bancárias (6), bares e cabarets; restaurantes e cafés; cinemas, boutiques e comercio em geral. Os vários andares dos prédios modificavam a paisagem e vivendas ajardinadas ornamentavam o espaço. As ruas asfaltadas abrandaram o pó.As margens do rio,alma tetense, ficaram ligadas com a ponte.
Cresceu em todas as direcções e tornou-se mais senhora e humana com a abertura do ensino secundário publico.....
.........os acontecimentos políticos não me deixaram vê-la na metamorfose seguinte, fiquei com o gosto de gostar dela, mas olhei para trás sentido......
Vi corridinho de casas brancas, a torre da igreja um cenário bonito e acolhedor. Perante cenário inesperado a minha curiosidade foi descobri-la. descobrir a pequena cidade de ruas rectilíneas , enfeitada de acácias rubras casada com o rio , alegre e pacifica.
As pessoas, fosse qual fosse a cor e credo, eram amáveis e sabiam receber com simpatia ,a que por vezes não se conseguia corresponder.A sorte de ficar instalado mesmo no coração da cidade obrigava-me a um quotidiano de vizinho .O comercio era ali mesmo . Muito indiano e europeu , nenhum africano.
Cinemas um que tinha sido inaugurado no primeiro semestre de 63 , o Santiago . Clubes três mas o mais concorrido era o Sporting ou clube de baixo como era conhecido. Dois hotéis , Tete e Zambeze , este em construção faseada ,com a parte acabada em funcionamento era lugar de convívio .Bancos um o BNU .
Na educação, escolas primárias, não havia secundárias apenas um colégio particular religioso das Irmãs de S. José de Cluny.A maioria da juventude tetense . quem escola primária frequentasse, ficava por aí. Só a partir da classe mais afortunada poderia colocar os filhos no único colégio ou numa outra cidade.
Sentia-se a necessidade absoluta de abertura de ensino secundário publico.
A maioria das ruas por asfaltar soltavam o pó que encasulava a cidade, com temperaturas elevadíssimas tornava-a a mais quente do país e conhecida "cidade inferno cemitério de branco". Contrariava isto o residente com "quem bebe água do zambeze" fica e se partisse jamais esqueceria a cidade ainda gaiata.
Gaiata porque as perspectivas de crescimento estavam no projecto Cahora Bassa.Quando o grande paredão começou a erguer-se o "boom" aconteceu. A cidade gaiata começou a tornar mulher. A sua expansão foi em todos os domínios.
Proliferaram as agências bancárias (6), bares e cabarets; restaurantes e cafés; cinemas, boutiques e comercio em geral. Os vários andares dos prédios modificavam a paisagem e vivendas ajardinadas ornamentavam o espaço. As ruas asfaltadas abrandaram o pó.As margens do rio,alma tetense, ficaram ligadas com a ponte.
Cresceu em todas as direcções e tornou-se mais senhora e humana com a abertura do ensino secundário publico.....
.........os acontecimentos políticos não me deixaram vê-la na metamorfose seguinte, fiquei com o gosto de gostar dela, mas olhei para trás sentido......
quarta-feira, 29 de dezembro de 2010
AS CANGARRAS DE TETE
…a galinha-do-mato tem que vir em cangarra se não, não é galinha-do-mato. Sempre que, o Luís nosso mecânico, ia a aldeia, para os lados do mazoi, regressava com a ginga tão carregada que nem carreira “dos caminho-de-ferro” e na cangarra bem amarrada atrás lá vinham duas ou três galinhas de bico aberto e goela seca, abafadas com todas as quitandas por cima. Os ramos que a compunham e as “tambalas” que amarravam formavam o entrelaçado engenhoso que faz do objeto uma preciosidade regional. Os design do feitio era de acordo com a criatividade e gosto do artesão. Redondas ovais ou mais ou menos bicudas serviam perfeitamente para o transporte das galinhas, por vezes não se redimensionava o tamanho á quantidade, tornando-a um transporte coletivo e apertadinho. Bem cacarejavam e esperneavam mas não valia de nada o esforço, porque a tambala não cedia. Soltas no galinheiro era vê-las a “desembrulharem-se” em direcção á água numa sofreguidão tormentosa.
Objecto singular mas de tanta utilidade que dá para transportar os mais variados pertences. A sua configuração ajuda, a amarração á ginga, e também ao transporte manual , não faltam “ pegas” . Não lhe chamem mala, porque certamente não vai gostar, a mala ficaria enobrecida se lhe chamassem cangarra. A mala é feita por máquina industrial , a cangarra é a” máquina” humana de mãos calejadas com produtos da natureza .O espírito com que é manuseada é particularmente só de ajuda, para servir e não para ser comercializada. (talvez possa vir a ser, em miniatura ,um objeto regional para turista). Sempre gostei das cangarras e até pintadas , tons de verde espalhadas por cantos do jardim com flores a crescerem por meio, iluminadas interiormente projetavam no local aspectos de beleza curiosa. Havia quem as inferiorizasse. Não sabiam dar valor ao que valor tem.
•Gostava de ver a chegada dos barcos do Zambeze, que o tempo levou, carregados de gente e de montões de cangarras , cada uma com sua utilidade, que eram atiradas para a margem ,onde águas do rio não chegasse. Cada um levava a sua , num hábito típico da região. Gostava de ver as gingas, carregadas com pares de cangarras amarradas , do aldeão que vinha vender galinha á cidade e já sem espaço ainda cabia o filho mwana que vinha ajudar no negócio. Gostava de as ver perfiladas com o galináceo dentro á espera de comprador.
......................." galinha á cafreal" sabia melhor se galinha saísse da cangarra…
Objecto singular mas de tanta utilidade que dá para transportar os mais variados pertences. A sua configuração ajuda, a amarração á ginga, e também ao transporte manual , não faltam “ pegas” . Não lhe chamem mala, porque certamente não vai gostar, a mala ficaria enobrecida se lhe chamassem cangarra. A mala é feita por máquina industrial , a cangarra é a” máquina” humana de mãos calejadas com produtos da natureza .O espírito com que é manuseada é particularmente só de ajuda, para servir e não para ser comercializada. (talvez possa vir a ser, em miniatura ,um objeto regional para turista). Sempre gostei das cangarras e até pintadas , tons de verde espalhadas por cantos do jardim com flores a crescerem por meio, iluminadas interiormente projetavam no local aspectos de beleza curiosa. Havia quem as inferiorizasse. Não sabiam dar valor ao que valor tem.
•Gostava de ver a chegada dos barcos do Zambeze, que o tempo levou, carregados de gente e de montões de cangarras , cada uma com sua utilidade, que eram atiradas para a margem ,onde águas do rio não chegasse. Cada um levava a sua , num hábito típico da região. Gostava de ver as gingas, carregadas com pares de cangarras amarradas , do aldeão que vinha vender galinha á cidade e já sem espaço ainda cabia o filho mwana que vinha ajudar no negócio. Gostava de as ver perfiladas com o galináceo dentro á espera de comprador.
......................." galinha á cafreal" sabia melhor se galinha saísse da cangarra…
segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
A CAROEIRA
""Logo a jusante de Murura e da foz do Inhaduze, apresenta-se, como parede quasi inaccessivel, a montanha Nhamarongo, que dá o seu nome a quasi toda a cordilheira, e que no cume que ahi forma, dominando as ilhas de Moçambique e Carmanamano, terá talvez i 5o a 200 metros de altitude sobre o nivel do Zambeze. Este ponto de vista é admirável, e o panorama que d'elle se desenrola aos olhos do viajante é magestoso e grande : para o norte as viridentes e bem vestidas serras do Sungo; para o sul os diver-
sos pincaros da Nhamarongo e as suas encostas despenhando-se rápidas sobre o valle do Inhaduze; para sudoeste o valle d'este rio e o paiz de Inhaquiro, chei(como quasi toda esta região) de emmaranhadas matas de macieiras espinhosas, entre as quaes avulta um ou outro soberbo baobab ou molambeira (adansonia digitata), alguns magníficos mitondos, tamarindeiros, etc. ; para oeste e oes-noroeste o curso quasi recto e prateado do Zambeze, com os seus brilhantes areaes até Massangano; e no fundo as serras Pinga do Marango, Caroeira, etc.""Rel Mil 1887-ArqNac
…ninguém pode chegar a Tete que lhe não bata a Coroeira pela frente. Quem do aeroporto chegue, lá está ela do outro lado do rio, altaneira , protectora de pompa formosura e num recorte bem contornado , que lhe dá um carisma emblemático e poderoso. Veste-a uma vegetação própria da savana donde nascera do chão há milénios. Talvez tenha sido baluarte de qualquer civilização bantu, que não ficou na história.Da história do tetense do meu tempo, ninguém a tira. Vaidosa sabe que tem valor. Protegendo a cidade gaiata envolve-a de montes , abraçando-a que o Zambeze ciumento , afagando-lhe os braços , completa o abraço. Que quadro maravilhoso, singelo , naturalmente único !. Acolhia sem cerimónias os pic.nics dos Tetenses e apesar de pobre ,sempre oferecia uma sombra,fugindo das micaias, onde se pudesse estender a toalha e todas as vitualhas . O gosto estava no cheiro das iguarias que refinavam o paladar antes do garfo começar a sua missão . As bebidas tiradas da geleira e transportadas em caixas térmicas improvisadas, pesavam menos que o gelo que transportavam. Eram, a Fanta e a Coca-cola ,as rainhas da festa . A laurentina até se sentia mal e a manica quase se encolhia pois estavam em segundo plano dado o feminino dominar o convívio.O Vinto era mais p´rá criançada que ficava com os lábios pintados. Por mim a manica, talvez pelo nome indicar proximidade , temperava-me as forças e até me ajudava a afinar a voz em coro improvisado .O calor ajudava o consumo numa de animar o espírito , ao som duma kuela ou marrabenta, que o gravador de fita emitia ,a bom ritmo, enquanto as pilhas resistiam ou o gira-discos mandado vir de Blantyre ou Salisbury ,por ser mais barato, por vezes a agulha pulava ,no retorcido do disco , apanhado por calorão .
….mas quem preferisse explorá-la ,num passeio turístico, seguiria depois da Clara, via acima, piso alcatroado, no meio da chapada nas curvas e contra-curvas mais apertadas ,era o sito mais verdejante do percurso. Chegado ao cimo a paisagem é deslumbrante(consta que em tempos havia um restaurante, deveria de ser soberbo?!!)No sopé , o Vale das Donas ou Nhatanda, prefiro chamar-lhe Nhatanda, barra de capulana verde onde o seu sartanejo acaba e começa a cidade. Airosa, rectilínea,mistura de antigo e moderno, com as acácias rubras floridas e o Zambeze depois de a acariciar, corre desalmadamente sustentando o orgulho por aqui passar.No horizonte uma pintura matizada de lindas cores onde os embondeiros do Chingodzi e Revuboé eram o supremo caracterizante do encanto. O gosto da descida.pelo lado contrário, era bem diferente .Picada pura ,picada onde a cada planalto , uma paragem e admirar as diferenças paisagisticas que se vão sucedendo. O Chimadzi com uma réstia de corrente acompanha, pelo lado esquerdo , até se encontrar a estrada que vai para Boroma. Nasce bem lá no cimo da serra e desde aos trambolhões pela encosta até ao Zambeze, em tempo de chuvas apesar de pouco extenso, transborda e inunda o antigo aeroporto que servia a cidade.… passeio acaba quando sentados no esplanada do Almadia á beira do Zambeze tentamos ver a Caroeira dali em toda a sua grandiosidade, mas a velhaca da cidade diz que primeiro está ela e pouco nos descortina para a olhadela.Na circunstância a serra é mais generosa.
sos pincaros da Nhamarongo e as suas encostas despenhando-se rápidas sobre o valle do Inhaduze; para sudoeste o valle d'este rio e o paiz de Inhaquiro, chei(como quasi toda esta região) de emmaranhadas matas de macieiras espinhosas, entre as quaes avulta um ou outro soberbo baobab ou molambeira (adansonia digitata), alguns magníficos mitondos, tamarindeiros, etc. ; para oeste e oes-noroeste o curso quasi recto e prateado do Zambeze, com os seus brilhantes areaes até Massangano; e no fundo as serras Pinga do Marango, Caroeira, etc.""Rel Mil 1887-ArqNac
…ninguém pode chegar a Tete que lhe não bata a Coroeira pela frente. Quem do aeroporto chegue, lá está ela do outro lado do rio, altaneira , protectora de pompa formosura e num recorte bem contornado , que lhe dá um carisma emblemático e poderoso. Veste-a uma vegetação própria da savana donde nascera do chão há milénios. Talvez tenha sido baluarte de qualquer civilização bantu, que não ficou na história.Da história do tetense do meu tempo, ninguém a tira. Vaidosa sabe que tem valor. Protegendo a cidade gaiata envolve-a de montes , abraçando-a que o Zambeze ciumento , afagando-lhe os braços , completa o abraço. Que quadro maravilhoso, singelo , naturalmente único !. Acolhia sem cerimónias os pic.nics dos Tetenses e apesar de pobre ,sempre oferecia uma sombra,fugindo das micaias, onde se pudesse estender a toalha e todas as vitualhas . O gosto estava no cheiro das iguarias que refinavam o paladar antes do garfo começar a sua missão . As bebidas tiradas da geleira e transportadas em caixas térmicas improvisadas, pesavam menos que o gelo que transportavam. Eram, a Fanta e a Coca-cola ,as rainhas da festa . A laurentina até se sentia mal e a manica quase se encolhia pois estavam em segundo plano dado o feminino dominar o convívio.O Vinto era mais p´rá criançada que ficava com os lábios pintados. Por mim a manica, talvez pelo nome indicar proximidade , temperava-me as forças e até me ajudava a afinar a voz em coro improvisado .O calor ajudava o consumo numa de animar o espírito , ao som duma kuela ou marrabenta, que o gravador de fita emitia ,a bom ritmo, enquanto as pilhas resistiam ou o gira-discos mandado vir de Blantyre ou Salisbury ,por ser mais barato, por vezes a agulha pulava ,no retorcido do disco , apanhado por calorão .
….mas quem preferisse explorá-la ,num passeio turístico, seguiria depois da Clara, via acima, piso alcatroado, no meio da chapada nas curvas e contra-curvas mais apertadas ,era o sito mais verdejante do percurso. Chegado ao cimo a paisagem é deslumbrante(consta que em tempos havia um restaurante, deveria de ser soberbo?!!)No sopé , o Vale das Donas ou Nhatanda, prefiro chamar-lhe Nhatanda, barra de capulana verde onde o seu sartanejo acaba e começa a cidade. Airosa, rectilínea,mistura de antigo e moderno, com as acácias rubras floridas e o Zambeze depois de a acariciar, corre desalmadamente sustentando o orgulho por aqui passar.No horizonte uma pintura matizada de lindas cores onde os embondeiros do Chingodzi e Revuboé eram o supremo caracterizante do encanto. O gosto da descida.pelo lado contrário, era bem diferente .Picada pura ,picada onde a cada planalto , uma paragem e admirar as diferenças paisagisticas que se vão sucedendo. O Chimadzi com uma réstia de corrente acompanha, pelo lado esquerdo , até se encontrar a estrada que vai para Boroma. Nasce bem lá no cimo da serra e desde aos trambolhões pela encosta até ao Zambeze, em tempo de chuvas apesar de pouco extenso, transborda e inunda o antigo aeroporto que servia a cidade.… passeio acaba quando sentados no esplanada do Almadia á beira do Zambeze tentamos ver a Caroeira dali em toda a sua grandiosidade, mas a velhaca da cidade diz que primeiro está ela e pouco nos descortina para a olhadela.Na circunstância a serra é mais generosa.
quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
PINGOS DE HISTÓRIA "pedras choradas"
sábado, 26 de dezembro de 2009
PINGOS DE HISTÓRIA "tempero de bredos"
´....descobrindo aos poucos o passado que fez historia..
(...) q.’ he milho, e legumes, e por Conduto uzão de ordinario de Carne de Caça, q.’ fazem aSsada ou Cozida, Sem mais adubos, e Com igual tempero de bredos, quando aquella Não tem, e na falta de tudo, Se Contentão com hum pouco de Sal. (...) De dous modos preparão a Comida de milho, mixoeira, e talves arroz; huãs Vezes o fazem a modo de arros cozido, q.’ chamão Inhafaca, e outras reduzindo-o a farinha Cozida, formão della pelouros, q.’ chamão Sima. Tambem dos mesmos mantimentos fazem a Sua bebida, q.’ chamão Badúa, ou Pombe, que Cá Se assemélha a birá no gosto; mas tem mais Consistencia
(...) q.’ he milho, e legumes, e por Conduto uzão de ordinario de Carne de Caça, q.’ fazem aSsada ou Cozida, Sem mais adubos, e Com igual tempero de bredos, quando aquella Não tem, e na falta de tudo, Se Contentão com hum pouco de Sal. (...) De dous modos preparão a Comida de milho, mixoeira, e talves arroz; huãs Vezes o fazem a modo de arros cozido, q.’ chamão Inhafaca, e outras reduzindo-o a farinha Cozida, formão della pelouros, q.’ chamão Sima. Tambem dos mesmos mantimentos fazem a Sua bebida, q.’ chamão Badúa, ou Pombe, que Cá Se assemélha a birá no gosto; mas tem mais Consistencia
PINGOS DE HISTÓRIA DE SOLO AMADO
"..Não há entre elles religião estabelecida, e vivem à ley da natureza, e de Sua Natureza. Adorão a hum Só Deos verdadeiro, q.’ invocão por Mulungo, tendo-o por primeiro muttor de tudo, e não conhecem falsa deidade, adoração quaze de Latria dão a Seos defuntos, chamando-os Muzimos, a quem offerecem nas Suas festas, q.’ há, q.’ São quando bem lhes parece, e Sem ordem alguã, as suas comidas, e bebidas, pondo-as ao pé de alguã arvore dedicada para este ministerio, à qual respeitão, como couza Sagrada, e tambem as Sepulturas. Tem tambem muita veneração ao vento, cujo mottor dizem q.’ he hum como deidade por nome ChiSsumpe.372 ................"(transcrição de livro virtual)
principios inquestionaveis dos naturais da região de Tete
principios inquestionaveis dos naturais da região de Tete
quinta-feira, 30 de julho de 2009
ACTO DE LEALDADE
Ao deixarmos Moçambique, antes da independência, levamos connosco, a seu pedido, dois nossos empregados.
Nunca tinham visto uma cidade tão grande e linda como a cidade do Harare capital do Zimbabwe.(no tempo Salisbury-Rhodesia)
Compramos-lhes roupa e obrigatoriamente calçado. Não era permitido andarem pelo centro da cidade descalços.
Quase se assustavam com a altura dos edifícios e ficavam atónitos com o movimentos de pessoas e carros . Na hora de ponta sentavam-se , no degrau de entrada do jardim, que rodeava a vivenda que alugamos em Eastlea, bairro bem perto da Umtali Road, via de saída para muitas zonas essencialmente residenciais. O tráfego era tanto que os cativava e naturalmente soltavam exclamações genuinamente nhungués, acompanhadas de gestos próprios, até o transito ficar quase parado. As autoridades concederam-lhes "permit" de permanência de um mês .
Tanto Afonso quanto Chaola, pediram-nos para ficar mais algum tempo.Solicitamos a renovação do "permit" para mais um mês, o que foi de imediato deferido. Nesse mês passearam por toda a cidade e até aprenderam a apanhar o taxi,(inexistentes em Tete) nome e utilização completamente nova para eles.
Qualquer coisa desconhecida que não entendessem questionavam-nos até perceberem e trocavam impressões em nhungwe.Confundia-os as máquinas de sandwiches e as de coca-cola e num ...UaAhh patrão riam á gargalhada, com a minha explicação de funcionamento, passando a mão pela cabeça.. A cidade encantava-os e se pudessem até ficariam ali para sempre. A familia acenava-lhes, do outro lado, bem perto do Zambeze, rio que os viu crescer e ter filhos. Havia a machamba para cultivar e a palhota necessitava de arranjos antes das chuvas.
Afonso e Chaola iam deixar a grande cidade, levavam imensas estórias para contarem, e regressar ao seu país, á morena cidade princesa do Zambeze. Informámo-nos do melhor e mais rápido meio de transporte. Pensamos nos "TIR" que diariamente saiam do Harare para Blantyre no Malawi, passando por Tete. Seria o ideal, até porque eles ,conheciam todos os condutores e parariam mesmo no local desejado. Fomos esclarecidos que dentro da então Rodésia ,não era permitido esse género de boleia e as companhias ficariam sujeitas a pesadas multas. Optámos por uma das carreiras que passaria por Nyamapanda mesmo na fronteira da Changara. Aí chegados, atravessariam a fronteira e uma vez em Moçambique, apanhavam a boleia proibida.
Combinado assim, dirigimo-nos á Central de Camionagem de Salisbury (Harare). Centro totalmente utilizado e gerido por africanos, onde não se vislumbrava um europeu. Estacionamos junto ao terminal da Matambanadzo Bus Services.
Enquanto eles se informavam convenientemente e adquiriam os bilhetes, um africano, de fato e gravata, anafado e ar ameaçador , falando shona em tom elevado, apressava-se em minha direcção. Num meio que me era adverso, por ser europeu, manti-me quieto e firme encostado ao carro sem fazer qualquer gesto.
Afonso dando conta da situação anormal, interpôs-se e num dialogo curto e eficaz, resfriou toda a movimentação do bem vestido. Chaola também não ficou parado e não sei, o que lhe disse, que o engravatado retrocedeu e pediu desculpa num "pardon" frio e seco.
Nunca mais soube noticias nem Afonso nem Chaola. Mesmo quando foi a Moçambique ,após a independência em visita e aos anos de familiar.
Fiquei por saber o que disseram ao possível agressor. Jamais esquecerei o acto de lealdade.
sexta-feira, 17 de julho de 2009
A VISITA DO MINISTRO
TETE~- A VISITA DO MINISTRO
.. a gaiata vestira o seu vestido de chita talhado ao pormenor do seu corpo de tetense,fusão perfeita e graciosa de mistura “euro-indo africana”. A natureza cinzelou lhes as melhores qualidades femininas e físicas de cada origem . Era dia grande na cidade . O ministro estava para chegar. A Av. Aragão de Melo( Rua dos cinemas) triplicara de tráfego, que abrandava e quase parava na Av. Dr..Armindo Monteiro( rua da Cadeia) porque a chita do seu vestido obedecia á irreverência do vento e permitia que a avenida ficasse mais cheia e sorridente.
O movimento só acelerava na verdadeira estrada do aeroporto, que aos poucos ia perdendo esse nome de grande latitude , rebaptizando-a, a conta gotas, do aeroclube.
Esta avenida onde a “gaiata” vivia era uma das mais emblemáticas da cidade. Onde habitavam talvez as famílias mais antigas .
Começava no histórico edifício dos correios e acaba na tímida ribeira que, vinha dos lados da velha maternidade, e só enchia em tempos de chuva.
Estas centenas de metros de chão foram um centro dos mais importantes da cidade. A polícia de segurança montara ali a sua esquadra , contígua á cadeia . O primeiro unico mercado municipal , diz-nos bem onde era o centro citadino, estava transformado nas oficinas da câmara municipal.
Por esta zona iria passar o Ministro, que deviria estar prestes a chegar para dar o - sim - á construção da ponte sobre o grande rio,e de seguida visitar o local de Cabora Bassa.
Zona onde viviam a famílias bem conhecidas , numa sintonia perfeita de diferentes ascendência. Pessoas que os tetenses não esquecem. Os Velosos, os Vieiras , os Macedos Pinto, os Borges , os Lopes e os Henriques . ....Tambem ali viviam três referências que se recorda com saudade, “O” Chaby,”O” Barbas e “O”Ferreira da Silva sempre bem disposto......
...as pessoas não davam muita importância ao nome das ruas e tanto era assim que as casas não tinham numero e não haviam carteiros.... a caixa-postal era um lugar de encontros..
O ministro até era um velhote simpático e a população viera das aldeias mais remotas em machibombos , camionetas ou carrinhas de caixa aberta. a custas da edilidade. Era dia de festa .
Não faltou o batuque nem a fanfarra militar. Os senhores régulos de fardas de caqui perfilavam enquanto os cipaios de cofeó mantinham a população na ordem.
Era este povo que fazia a festa e tornava aquele lugar de chegada um sitio diferente.
As pessoas da cidade vestiam a rigor e era vê-los a suarem em bica e elas exuberantes a ocuparem o melhor lugar para que podessem mostrar a última moda e ficarem na fotografia....
...... a moda podia estar lá estilizada ao detalhe. O lugar poderia ser o mais visível. As pessoas podia ser as mais sociaveis....
...mas os olhares foram para a gaiata morena do vestido de chita.
segunda-feira, 6 de julho de 2009
POR LÁ ANDAMOS......AS MEMÓRIAS FICAM

....."Enquanto atravesso o Zambeze, olho o casario da cidade, estendido ao longo da margem. Lá ao fundo o Forte de S.Tiago , sobranceiro ao rio, testemunho da chegada dos portugueses no época dos descobrimentos.Pequenos barcos a motor cruzam o rio, ligando as duas margens. Ao longe, a serra da Caroeira qual sentinela da cidade. Vou levar comigo a memória deste céu e dos bandos de pássaros que o atravessavam nas manhãs frescas e nubladas de Junho. Recordarei a beleza dos poentes espectaculares, o ribombar da trovoada, o feérico e esplenderoso alvorecer, lembrar-me-ei, para sempre, do cheiro da papaia madura, do som dos batuques, das silhuetas dos embondeiros, da luz argêntea do luar,dos olhos vermelhos dos noitibós e guardarei no meu coração a terna lembrança de Tete, essa pequena cidade do interior do sertão de Moçambique. O Zambeze abraça-a no correr impetuoso da época das chuvas e cingi-a, docemente, pela estação das secas!" (DOIS ANOS EM TETE-memórias de um alferes expedicionário) Antonio
Espadinha





